Baleia encalhada na Nova Zelândia prova que espécie raríssima existe

Duas baleias-bicudas-de-bahamonde, que nunca foram vistas vivas na natureza, foram encontradas em praia neozelandesa em 2010 e identificadas como outra espécie

iG São Paulo |

AP
Corpo da fêmea da espécie rara baleia-bicuda-de-bahamonde encontrado em praia da Nova Zelândia

A baleia-bicuda-de-bahamonde ( Mesoplodon traversii ) é tão rara que um animal vivo jamais foi visto, mas agora existem provas que a espécie ainda existe. Dois esqueletos foram identificados como sendo da espécie, após uma baleia de cinco metros de comprimento e seu filhote de três metros foram encontrados encalhados em uma praia na Nova Zelândia em 2010. Os cientistas esperam que a descoberta vai trazer novas perspectivas sobre o animal e seu ecossistema oceânico.

Mas foi por pouco, porque técnicos locais identificaram as carcaças erroneamente como uma espécie muito mais comum de cetáceo e as enterraram.

Em um estudo publicado nesta terça-feira (6) no periódico Current Biology, pesquisadores neozelandeses e americanos afirmaram pela primeira vez ter uma descrição do mamífero marinho mais raro e misterioso do mundo.

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Até então, apenas três fragmentos de crânio foram encontrados: duas vezes na Nova Zelândia em 1872 e na década de 1950, e um terceiro há 26 anos em uma ilha na costa chilena. Os machos têm presas largas, parecidas com lâminas, e ambos os sexos têm bicos que os fazem parecer golfinhos.

"Isto é fantástico," disse Ewan Fordyce, professor da Universidade de Otago especializado na evolução de baleias, que não esteve envolvido na pesquisa. "Existem pouquíssima, se é que alguma, espécie de mamífero no mundo mais rara que esta", afirmou.

As balerias encalhadas foram descobertas na praia de Opape, na North Island, em 31 de dezembro de 2010. Técnicos acharam que os corpos eram de duas baleias-bicudas-de-Gray, uma espécie bem mais comum, e extraíram amostras de tecido antes de enterrá-las na areia.

As amostras acabaram na Universidade de Auckland, onde cientistas fizeram alguns testes de rotina, seis meses depois. Rochelle Constantine, uma das coautoras do estudo, disse que ela e sua colega Kirsten Thompson não poduam acreditar quando os resultados indicaram que se tratava de baleias-bicuda-de-bahamonde. "Kirsten e eu ficamos mudas. Foi bastante supreendente", disse.

Testes posteriores confirmaram a descoberta. Posteriormente, 160 amostras de outras baleias identificadas como bicudas-de-Gray foram reexaminadas, mas não foi encontrada mais nenhuma identificada erroneamente.

Este ano, os pesquisadores voltaram à praia para exumar os esqueletos. Anton Van Helden, coordenador da coleção de mamíferos marinhos do Museu Nacional Te Papa, na Nova Zelândia, disse que não foi uma tarefa fácil achar os restos dos animais depois de tanto tempo, e que o crânio da mãe, que foi enterrado numa cova mais rasa, foi perdido no mar. Mas eles conseguiram recuperar o resto das ossadas. "É uma descoberta muito significativa," disse Van Helden, que também assina o artigo.

Ele disse ser impossível saber porque as baleias chegaram à praia, embora os cetáceos costumem encalhar quando ficam doentes. Quase nada se sabe sobre a espécie, a não ser que ela vive no Oceano Pacífico Sul e come principalmente lulas.

Fordyce disse que pode ser possível usar os esqueletos das baleias para reconstruir seus músculos e tecidos, a fim de entender mais como eles vivem e porque são tão reclusos. Os cientistas envolvidos na descoberta acreditam que ela pode fornecer mais informações sobres a complexidade dos ecossistemas marinhos.

"Este é um bom lembrete de como os oceanos são grandes e o quanto desconhecemos a seu respeito," afirmou Rochelle.

(Com informações da AP)

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