Estudos mostram que houve aumento na incidência de furação. IPCC prevê que estes fenômenos serão mais intensos nos próximos anos

AFP

Árvore cai em Sea Cliff, no Estado de Nova York (30/10) após passagem de  tempestade Sandy
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Árvore cai em Sea Cliff, no Estado de Nova York (30/10) após passagem de tempestade Sandy

Para o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), existe um vínculo provável entre as mudanças climáticas e os furacões.

A organização prevê que estes fenômenos serão mais intensos no século XXI, embora a questão seja objeto de intenso debate entre os especialistas.

"A pesquisa científica sobre o impacto das mudanças climáticas nos furacões é um tema que continua em aberto", declarou Serge Planton, encarregado do grupo de pesquisas climáticas do serviço meteorológico francês Meteo France.

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Para ele, "a complexidade do fenômeno - um furacão depende da temperatura da superfície do mar, mas também da estrutura dos ventos em todo o volume da atmosfera - não responde de forma linear, simples, ao aquecimento global".

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Em seu último relatório sobre eventos climáticos extremos, o IPCC considera difícil assegurar que tenham aumentado a intensidade, a frequência ou a duração dos furacões nos últimos 40 anos, quando se iniciaram as observações por satélite.

No entanto, no Atlântico Norte, onde Sandy se originou, "aumentou o número de furacões, em particular os de maior envergadura", avaliou a agência nacional americana oceânica e atmosférica (NOAA).

"Quarenta anos é muito pouco tempo para tirar conclusões" relativas à possível incidência das mudanças climáticas neste aumento, avaliou Planton.

No entanto, um estudo publicado nesta terça-feira na revista Proceedings, da Academia de Ciências dos Estados Unidos (PNAS), tende a confirmar esta incidência do aquecimento global.

Após reconstituir as variações do mar no Golfo do México desde 1923, os investigadores chegaram à conclusão de que "as temporadas de ciclone dos anos quentes foram mais ativas do que as dos anos frios".

Com base em modelos, o IPCC considera "provável" que não haja mais ciclones ou que inclusive haja menos, mas que sejam mais intensos, mais chuvosos e com mais ventos.

Embora os estudos disponíveis sobre o Atlântico Norte tendam a confirmar estes prognósticos, "há uma incerteza sobre estas projeções e são necessárias outras pesquisas", afirmou a NOAA.

No entanto, para Tom Mitchell, encarregado do tema no Instituto de Desenvolvimento de Ultramar britânico, há "já muita coerência entre o que se vê no mundo e os prognósticos do IPCC sobre os eventos extremos".

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