Peças de jade são encontradas em tumba de rei maia na Guatemala

Escavações revelaram túmulo real construída entre 700 a.C e 400 a.C, considerado o mais antigo da Mesoamérica

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Pesquisadores encontraram peças de jade na tumba real em escavações na Guatemala

Arqueólogos guatemaltecos anunciaram esta quinta-feira a descoberta do enterro de um poderoso rei no sul da Guatemala, que pôde ter propiciado a transição da cultura olmeca para a maia entre os anos 700 e 400 antes de Cristo.

"É o enterro real mais antigo da Mesoamérica e foi encontrado devido às características que tem e à sua extraordinária riqueza", afirmou Christa Schieber, coordenadora técnico-científica do Parque Arqueológico Tak'alik Ab'aj, durante conferência no Palácio da Cultura, na capital guatemalteca.

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Foi encontrado em Tak'alik Ab'aj, 220 km ao sul da capital, três metros debaixo da terra, sob uma escultura do Parque. Não havia ossos conservados, mas sim vasilhames e "seis maravilhas figurinhas femininas e centenas de peças em miniatura de jade azul e verde" com que se fizeram colares e braceletes costurados sobre tecido ou couro, explicou.

Além disso, havia um saiote ou tapa-sexo, que "pode ser o único bordado com contas em miniatura de jadeíta encontrado in situ da Mesoamérica, onde é possível reconhecer o desenho do bordado", afirmou Schieber.

A arqueóloga afirmou que os especialistas que fizeram a descoberta denominaram o rei de K'utz Chaman, ou "avô abutre" em espanhol, pelas relíquias encontradas, especialmente uma figura humana com cabeça de pássaro no colar, mas este não corresponde ao seu nome verdadeiro na época por faltar registro epigráfico.

"Esta figura, muito provavelmente um abutre, pode representar uma visão precoce do título de 'Ajaw'", o criador de tudo (rei), assegurou Schieber, acrescentando que na Costa Rica e no Golfo do México há figuras análogas, o que demonstra também a rota comercial de longa distância que existia na época.

Os arqueólogos calcularam a data do enterro baseados em dados estratigráficos (das camadas das rochas) e cerâmicos, que foi confirmada por um laboratório de datação por radiocarbono.

"Este enterro se situa no início ou no amanhecer da era maia, razão pela qual pode ser considerado o mais antigo enterro real com um enxoval tão sofisticado encontrado na Mesoamérica", afirmou Schieber.

A costa sul guatemalteca, a princípio, foi habitada por Olmecas (1.500 a.C. a 100 d.C.), considerada a cultura mãe, mas alguns lugares, como é o caso de Tak'alik Ab'aj, também foram habitados por maias durante sua expansão no período pré-clássico médio (800 a 300 a.C.).

Os olmecas desapareceram e os maias continuaram desenvolvendo sua grande cultura, sobretudo no norte da Guatemala, no sul do México, em El Salvador, Honduras e Belize.

As relíquias e as provas de data denotam que o "avô abutre" ostentava um poder econômico, político e religioso que apontam que foi ele "quem cruzou a ponte entre o mundo olmeca e o mundo maia em Tak'alik Ab'aj", afirmou.

"Para nós é a descoberta mais importante deste ano e o melhor é que coincide com o início de uma nova era no calendário maia", em 21 de dezembro, disse o coordenador administrativo do Parque Arqueológico, o guatemalteco Miguel Arrego.

O arqueólogo explicou que a civilização Olmeca é considerada a mãe das culturas na Mesoamérica e inventaram um sistema numérico, mas nunca chegaram a desenvolver um sistema de infraestrutura piramidal como fizeram os maias, séculos depois.

"No ano 700 a.C. começou a se manifestar a efervecência de uma nova cultura, que é a maia, mas a mudança de ideias é gradual, não houve imposição de novas ideias, mas elas vão se adaptando. Este caso é único na Mesoamérica, onde há provas de uma transição" de duas cultuas, afirmou.

"Em Tak'alik Ab'aj há 356 monumentos e 133 deles têm seis formas distintas de escrita, por isso este parque é a cidade da luz, a Grécia da Mesoamérica", destacou.

A cultura maia teve seu maior esplendor no chamado período clássico (250-900 d.C.) até que entrou em uma etapa de decadência no período pós-clássico (900-1200 d.C).

Guatemala, México, El Salvador, Honduras e Belize preparam celebrações para a mudança de era no calendário maia.

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