Análise de ossos mostra que ancestral humano não abandonou árvores

Fóssil do ombro da espécie de “Lucy” revelou adaptações para a escalada e mostra que bipedalismo exclusivo deve ter vindo com espécies posteriores

Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

David J. Green
Escápula direita do fóssil usado no estudo, de um esqueleto de A.afarensis de 3 anos de idade

Novo estudo reforça a ideia de que um dos ancestrais mais antigos do homem, o Australopithecus afarensis , embora fosse uma espécie que pudesse andar ereta, contava com adaptações ósseas para escalada, e portanto, devia passar muito tempo em cima de árvores. Pela primeira vez, pesquisadores analisaram os ossos dos ombros e das escápulas do fóssil de A.afarensis .

Science/AAAS
Vista lateral do crânio do fóssil Selam, um Australopithecus afarensis

A análise provou que a espécie tinha adaptações para a escalada, o que fez com que os pesquisadores concluíssem que o A.afarensis tinha um “repertório múltiplo de locomoção” comum entre primatas não humanos e que incluía tanto o bipedalismo quanto a escalada em árvores. “A maioria dos primatas apresenta uma ampla gama de formas de locomoção. Os seres humanos modernos são, aparentemente, os únicos entre os primatas que geralmente empregam apenas uma forma de locomoção”, disse ao iG o autor do estudo publicado no periódico científico Science e professor da Universidade de Midwestern.

Os pesquisadores trabalharam com o fóssil que recebeu o nome de Selam, uma menina   A.afarensis de três anos que viveu há cerca de 3,3 milhões de anos. Foram necessários 11 anos para extrair o osso da omoplata do esqueleto, que estava preso em um bloco de pedra. “Como os ossos das escápulas são muito finos, eles raramente fossilizam, e quando isso acontece, eles quase sempre se fragmentam”, disse Zeresenay Alemseged, curador de antropologia da Academia de Ciências da Califórnia e que realizou a reconstituição dos ossos.

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De acordo com Green, as escápulas humanas mudam de forma ao longo da vida de modo diferente que outros primatas. “Quando comparamos a escápula de um fóssil de A.afarensis de três anos com o de fósseis de indivíduos adultos, fica claro que o padrão de crescimento foi mais parecido com o de outros primatas do que o de humanos”, disse Green.

O estudo ajuda a responder a questão de quando os ancestrais humanos abandonaram a vida nas árvores. “Certamente, foi muito tempo depois do que estudos prévios sugerem”, disse Alemseged.

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