Fenômenos opostos foram detectados por satélites da agência espacial americana. Estudo foi o primeiro a calcular espessura total do gelo marinho no Oceano do Sul a partir do espaço

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Foto tirada em 13 de outubro mostra mar de Bellinghausene, na Antártida
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Foto tirada em 13 de outubro mostra mar de Bellinghausene, na Antártida

Os satélites da agência espacial americana mostraram dois fenômenos opostos ao detectar que a camada de gelo do Ártico diminui, enquanto a Antártida se expande, segundo um estudo publicado nesta terça-feira (23).

"Houve um aumento geral na camada de gelo marinho na Antártida, que é o contrário do que acontece no Ártico", afirmou Claire Parkinson, cientista do Centro Goddard da Nasa e autora principal do estudo.

A Nasa indica que entre 1978 e 2010 a extensão da Antártida cresceu em 17 mil quilômetros quadrados a cada ano, mas "esta taxa de crescimento não é tão grande como a diminuição no Ártico", disse a cientista, destacando a diferença de geografia que têm os pólos da Terra.

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Segundo os dados do estudo, a extensão da camada de gelo do Oceano Ártico em setembro de 2012 era de 3,40 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média calculada entre setembro de 1979 a 2000, ou seja, que a área de gelo perdido equivale a aproximadamente duas vezes o Alasca.

O Oceano Ártico está rodeado pela América do Norte, a Groenlândia e a Eurásia, grandes massas de terra que apanham a maioria do gelo que se concentra e se retira ciclicamente segundo a época do ano.

Imagens de satélite mostram o Ártico e a Antártida (abaixo) no fim das estações de inverno no Sul e de verão no Norte
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Imagens de satélite mostram o Ártico e a Antártida (abaixo) no fim das estações de inverno no Sul e de verão no Norte

Porém, uma grande parte do gelo mais antigo desapareceu nas últimas três décadas e a cobertura do gelo de verão ficou exposta à água escura do oceano, que absorve a luz solar e se aquece, o que leva à perda de mais gelo.

Pelo contrário, a Antártida é um continente rodeado de águas abertas que permitem ao gelo marinho expandir-se durante o inverno, mas também oferecem menos proteção durante a temporada de degelo.

A maior parte da coberta gelada do Oceano Austral cresce e se retira a cada ano, dando lugar a pouco gelo marinho perene na Antártida.

Os autores do estudo acreditam que o padrão misto de crescimento do gelo e a perda de gelo ao redor do Oceano Antártico poderiam ocorrer devido a mudanças na circulação atmosférica.

"O clima não muda de maneira uniforme. A Terra é muito grande e a expectativa, sem dúvida, seria que houvesse mudanças diferentes nas distintas regiões do mundo", comentou Claire, ressaltando que a descoberta não desaprova a teoria da mudança climática.

Segundo a Nasa, este estudo, que usou dados de altimetria laser do satélite ICESat, é o primeiro a calcular a espessura do gelo marinho no Oceano do Sul inteiro a partir do espaço.

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