Células pluripotentes são consideradas a grande esperança da medicina

Ao reprogramar de células, cientistas podem criar de tecidos substitutos para o tratamento de doenças como o Parkinson, e estudar a origem das doenças em laboratório

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Célula-tronco embrionária podem ser criadas a partir da células humanas reprogramadas

As células pluripotentes, que são células adultas reprogramadas para rejuvenescer e recuperar as propriedades das células-tronco embrionárias (ES), são uma esperança da medicina por seus potenciais terapêuticos. A aplicação é tão importante que hoje, dois pesquisadores que descobriram de que células adultas podem ser reprogramadas e se tornarem pluripotentes receberam o Nobel de Medicina 2012

Nos centros de pesquisas do o britânico John B. Gurdon, de 79 anos, e o japonês Shinya Yamanaka, de 50 anos, as " células-tronco pluripotentes induzidas" ou "células IPS" têm sua origem em uma célula adulta diferenciada, que retorna ao estado de célula embrionária pluripotente, graças ao trabalho de engenharia genética.

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Na natureza, após a fecundação, o óvulo se divide e rapidamente aparecem as células que dão origem a todos os tecidos do corpo. São as células-tronco embrionárias pluripotentes que têm a capacidade para gerar todos os tipos de células.

Porém, com o desenvolvimento do embrião, as células se especializam e perdem a capacidade de se transformar em células com diferentes funções (células nervosas, cardíacas, etc).

O britânico John Gurdon, um dos premiados com o Nobel em 2012, descobriu, em 1962, que a especialização das células era reversível, ao contrário do que se pensava antes, enquanto o outro vencedor, Shinya Yamanaka, ainda não era nascido.

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A equipe do japonês Yamanaka demonstrou em células de camundongo em 2006 e, em seguida, em células humanas em 2007, que podemos reprogramar uma célula adulta para fazê-la recuperar as características de uma célula-tronco embrionária.

As pesquisas de Yamanaka constituíram "uma descoberta revolucionária real", entusiasmou-se Jean-Marc Lemaitre, do Instituto de Genômica Funcional (Inserm).

Com estas novas células IPS, "você pode obter praticamente qualquer tipo de célula do corpo", explica o pesquisador francês que tem usado esta técnica para rejuvenescer células centenárias, e mostra que o processo de envelhecimento é reversível.

As células IPS apresentam vantagens semelhantes às das células-tronco embrionárias, mas não envolvem o problema ético relacionado com a necessidade de manipular embriões.

As IPS podem ser uma fonte de células para fazer tudo, por exemplo, testar novas drogas ou estudar doenças.

Para a terapia celular experimental, elas não levam o risco a priori de rejeição por parte do corpo, porque vêm do próprio paciente.

Mas ainda há um longo caminho a percorrer antes de assegurar a sua total segurança.

"Não há nenhuma aplicação clínica prevista desta técnica avançada", ressaltou à AFP Marc Peschanski, diretor científico do I-Stem (Instituto de Pesquisa com células-tronco - Inserm).

No entanto, em 2013 um teste clínico de "inocuidade" em Kobe, no Japão, deve usar pela primeira vez esta técnica em um ensaio sobre a retina em pacientes que sofrem de degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

Além disso, uma outra linha de pesquisa está começando: produzir em grande quantidade células IPS a partir de um pequeno grupo de doadores que poderiam ser utilizadas para um grande número de receptores.

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