Agência europeia questiona estudo que relaciona transgênicos e câncer

Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos pediu mais informações sobre pesquisa que afirma que transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer em ratos

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A Autoridade Europeia de Segurança dos Alimentos (EFSA) considerou insuficiente o estudo sobre a toxicidade dos organismos transgênicos (OGM) realizado pelo cientista francês Gilles-Eric Seralini e pediu mais informações para que possa adotar uma posição sobre o tema.

"Sem mais elementos, será pouco provável que o estudo se torne confiável, válido e de boa qualidade", afirmou a EFSA em um comunicado.

O polêmico estudo de Seralini, baseado em observações em longo prazo, chegou à conclusão de que os ratos alimentados com milho transgênico sofrem tumores cancerígenos e morrem mas cedo.

A EFSA pediu ao cientista francês que proporcione mais informações antes de voltar a avaliar o estudo pela segunda e última vez antes do fim deste mês.

No final de setembro, o primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault havia declarado ter enviado o estudo à EFSA e que, se o perigo dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) fosse comprovado, a França defenderia em nível europeu sua interdição.

A publicação do estudo causou polêmica, principalmente ao mostrar tumores do tamanho de bolas de pingue-pongue em ratos alimentados com milho transgênico da Monsanto importado para a Europa.

Leia mais: Transgênicos aumentam em até três vezes ocorrência de câncer em ratos

Até agora, as empresas limitaram os estudos dos efeitos dos OGM durante 90 dias. Mas o estudo francês se baseou em uma observação num prazo maior.

O estudo publicado pela revista "Food and Chemical Toxicology" mostrou que ratos alimentados com organismos geneticamente modificados morrem antes e sofrem de câncer com mais frequência do que os demais roedores.

"Os resultados são alarmantes. Observamos, por exemplo, uma mortalidade duas ou três vezes maior entre as fêmeas tratadas com OGM. Há entre duas e três vezes mais tumores nos ratos tratados dos dois sexos", explicou Gilles-Eric Seralini, professor da Universidade de Caen, que coordenou o estudo.

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Para realizar a pesquisa, 200 ratos foram alimentados durante um prazo máximo de dois anos de três maneiras distintas: apenas com milho OGM NK603, com milho OGM NK603 tratado com Roundup (o herbicida mais utilizado do mundo) e com milho não alterado geneticamente tratado com Roundup.

Os dois produtos (o milho NK603 e o herbicida) são propriedade do grupo americano Monsanto.

Os tumores aparecem nos machos até 600 dias antes de surgirem nos ratos indicadores (na pele e nos rins). No caso das fêmeas (tumores nas glândulas mamárias), aparecem, em média, 94 dias antes naquelas alimentadas com transgênicos.

Os pesquisadores descobriram que 93% dos tumores das fêmeas são mamários, enquanto que a maioria dos machos morreu por problemas hepáticos ou renais.

A Associação Francesa de Biotecnologias Vegetais (AFBV), favorável aos OGM, reagiu à publicação do estudo, assegurando que até agora nenhuma pesquisa revelou efeitos tóxicos em animais.

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