Pesquisa controversa aponta para avanços na tentativa de clonar mamute

Descoberta de tecidos de mamute na Sibéria cria expectativa sobre clonagem de animal extinto

AFP |

AFP

AFP
Pesquisadores trabalham nos fragmentos de fóssil de mamute encontrado na Sibéria

Uma equipe de cientistas russos e sul-coreanos afirma ter avançado na busca de uma possível clonagem do mamute, após pesquisa criticada por outros especialistas no tema.

A equipe diz ter descoberto pedaços de tecido de mamute profundamente enterrado no permafrost (solo permanentemente congelado) da região leste da Sibéria que poderiam conter células vivas.

A possível existência destas células, talvez insuficientemente numerosas para o que se deseja realizar, ainda tem que ser confirmada pelo laboratório sul-coreano encarregado. Além disso, é considerada muito improvável por vários cientistas especializados no estudo das células.

Leia mais:
Fóssil de mamute será apresentado em Hong Kong
Cientistas russos e sul-coreanos querem recriar o mamute
Cientistas conseguem ressuscitar flor da Era do Gelo
Cientistas pretendem ressuscitar mamutes em cinco anos
Encontrados no Tibete fósseis de grandes mamíferos da Idade de Gelo
Após mentir sobre clonagem humana, sul-coreano clona coiotes
Bebê mamute é atração de museu francês

No entanto, Serguei Fiodorov, da Universidade Federal Norte-oriental russa, informou que a descoberta feita na região de Yakutia, no leste da Sibéria, poderia nos aproximar de uma tentativa de clonagem do mamute.

"Descobrimos os pedaços de tecido de mamute no leste da Sibéria no começo de agosto", disse Fiodorov.

"Parece que algumas das células ainda teriam um núcleo vivo", disse o cientista.

A equipe se esforça por obter credibilidade, em meio a dúvidas sobre a possibilidade de que algo possa permanecer vivo durante milênios no permafrost. No entanto, se assim for, será possível tentar clonagens com o objetivo de recriar animais hoje extintos.

Um dos participantes da expedição é o sul-coreano Hwang Woo-suk, que caiu em desgraça após ter sido considerado culpado por seus colegas da Universidade de Seul por falsificar duas "primícias mundiais" no campo da clonagem terapêutica.

Uma delas foi a suposta extração, em 2004, de uma linhagem de células-tronco a partir de embriões obtidos por clonagem, à que se seguiu, em 2005, uma segunda suposta descoberta ainda mais importante: a produção de onze colônias de células-tronco. Estes anúncios teriam gerado grandes esperanças no tratamento do câncer, da diabetes e do mal de Parkinson.

No entanto, Wang também trabalhou na clonagem de animais e conseguiu clonar um cão em agosto de 2005.

Considera-se que o mamute foi extinto há menos de 4.000 anos, coincidindo com o surgimento da Idade do Bronze, no Egito.

Segundo estudo publicado em junho na revista Nature Communications, vários fatores - alta da temperatura, mudança na vegetação, expansão dos seres humanos - contribuíram para a extinção do mamute peludo.

Seus resultados mostram como o mamute da Beríngia (ponte terrestre que unia o atual Alasca e a Sibéria Oriental), presente de forma abundante até 45.000 e 30.000 anos antes da nossa era, sofreram um longo declínio, enfrentando mudanças climáticas, de hábitat e a presença humana até seu desaparecimento definitivo há 4.000 anos.

    Leia tudo sobre: clonagemmamuteera do gelo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG