Simulação por computador indica que pode haver vida em vários outros planetas

Cientistas escoceses desenvolveram método que descobre água líquida no subterrâneo dos corpos celestes, um indicativo da possibilidade de vida

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ESO/L. Calçada
Exoplaneta GJ 1214b é considerado potencialmente habitável

Cientistas escoceses desenvolveram um simulador para identificar planetas onde há condições para a existência de vida. O sistema poderá indicar a existência de diversos planetas habitáveis em sistemas solares distantes.

Até o presente estudo, da Universidade de Aberdeen, as estimativas sobre o número de planetas habitáveis eram baseadas na probabilidade de que houvesse água na superfície desses lugares.

O simulador, baseado em um modelo científico, permite, no entanto, que os pesquisadores identifiquem planetas com água subterrânea mantida em forma líquida, por calor gerado pelo próprio planeta. O estudo foi apresentado durante o British Science Festival, em Aberdeen.

Entre astrônomos, a teoria era a de que, para possuir água em forma líquida (estado que favorece a formação de vida), o planeta tinha de estar a uma certa distância de sua estrela - na chamada zona habitável.

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Isso porque planetas muito próximos de seu sol perdem a água de sua superfície por meio da evaporação.

Já a água presente na superfície de planetas que orbitam regiões mais distantes de seus sóis - e portanto mais frias - transforma-se em gelo.

'Simples demais'
Sean McMahon, responsável pelo projeto, diz que entre os pesquisadores o conceito de zona habitável (também chamado de Goldilocks Zone -- em português, "Zona Cachinhos de Ouro", por conta da história da menina que prefere seu mingau nem muito quente, nem muito frio), aumenta a sensação de que essa teoria é simples demais.

"Tradicionalmente as pessoas dizem que se um planeta está nessa Goldilocks Zone –nem tão quente nem tão frio - pode conter água líquida em sua superfície e ser um planeta habitável", diz.

McMahon lembra, no entanto, que um planeta é aquecido por duas fontes de calor – calor direto da estrela (energia solar) e calor gerado nas profundezas do próprio planeta, chamado de calor interno.

Quanto mais longe um planeta está de seu sol, menos energia ele recebe e a água em sua superfície congela. Conforme a distância aumenta, a água subterrânea também começa a congelar. Mas se o planeta é grande o suficiente e produz calor interno suficiente, poderia ainda manter reservatórios profundos de água líquida capazes de sustentar a vida, não importa quão longe ele estiver do sol.

'Vida primitiva'
O cientista John Parnell, da Universidade de Aberdeen, que também está liderando o estudo, disse que "há um habitat significativo para microorganismos abaixo da superfície da Terra, extendendo-se por muitos quilômetros abaixo".

"E alguns acreditam que a maior parte da vida da Terra poderia até mesmo residir nessa biosfera profunda", ressalta.

O simulador desenvolvido na Escócia quer apontar, justamente, os planetas distantes que possuem tais reservatórios subterrâneos de água líquida com a possibilidade de desenvolver vida alienígena.

"Se você levar em conta a possibilidade de biosferas profundas, então terá um problema em tentar relacionar isso com a ideia de que uma zona habitável é definida somente por algumas condições encontradas na superfície", disse McMahon ao explicar a lógica.

McMahon acredia que mesmo se um planeta estiver tão distante da estrela a ponto de receber quase nenhum calor solar, ele ainda poderia manter água líquida no subterrâneo. Por isso mesmo o cientista é otimista em relação aos frutos do experimento.

"Veremos muitos outros planetas (habitáveis)", diz.

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