Telescópio detecta buracos negros e galáxias que estavam 'escondidos'

Ao captar comprimentos de onda ligados ao calor dos astros, o Wise, da Nasa, conseguiu enxergar pela primeira vez alguns corpos celestes

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NASA/JPL-Caltech/UCLA
Esta imagem com dados do Wise mostra cerca de mil objetos que até então não eram vistos

Um telescópio especial detectou milhões de buracos negros supermaciços e galáxias com temperaturas extremamente altas, que estavam "escondidos" atrás de uma nuvem de poeira interestelar.

O Wide-Field Infrared Survey Explorer (Wise), telescópio da agência espacial americana Nasa, conseguiu captar comprimentos de ondas ligados ao calor dos astros, o que fez com que eles conseguissem enxergar e mapear pela primeira vez alguns dos objetos mais iluminados do Universo.

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A expectativa dos cientistas é de que a descoberta os ajude a entender como as galáxias e buracos negros se formam.

'Caçador de buracos negros'
Os astrônomos já sabiam que a maioria das galáxias possuem buracos negros no seu centro, que são "alimentados" com gases, poeira e estrelas ao seu redor.

Às vezes, os buracos negros soltam energia suficiente para impedir a formação de estrelas. A forma como estrelas e buracos negros evoluem juntos, no entanto, continua sendo um mistério para os cientistas.

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A esperança é que os dados do telescópio Wise possibilitem novas descobertas neste ramo. O Wise tem capacidade de detectar comprimentos de onda que ficam muito além do campo de visão dos telescópios atuais. Isso permite ao equipamento fazer diversas descobertas inéditas na ciência. 

NASA/ESA
Ilustração mostra um buraco negro se “alimentando” de gás e poeira ao seu redor


O telescópio ganhou a fama de "caçador de buracos negros". "Nós encurralamos os buracos negros", diz Daniel Stern, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), um dos autores dos três estudos que foram apresentados nesta quarta-feira (29).

Stern e seus colegas usaram outro telescópio (Nustar) para analisar os dados dos buracos negros captados pelo Wise e apresentaram os dados em um artigo que será publicado na revista científica Astrophysical Journal.

Outros dois estudos detalham galáxias com temperaturas extremamente altas e com brilho intenso, que até recentemente não conseguiam ser detectadas. O termo em inglês para essas galáxias é "hot dust-obscured galaxies", ou na sigla, Hot-Dogs (que significa "cachorro-quente", em inglês).

Mais de mil galáxias já descobertas são mais de cem vezes mais brilhantes que o Sol da Via Láctea. Os dados da missão Wise estão sendo disponibilizados ao público, para que todos os cientistas possam contribuir nas pesquisas espaciais.

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