Nasa lança sondas para estudar clima espacial

As sondas RBSP foram lançadas na manhã desta quinta-feira para estudar o fenômeno dos Cinturões de Van Allen, que circundam a Terra

iG São Paulo |


A Nasa lançou nesta quinta-feira (30) do Cabo Canaveral, na Flórida, um foguete Atlas V que deverá pôr em órbita duas sondas para estudar a influência do Sol sobre a Terra e os anéis de radiação que a cercam.

AP
Foto de longa exposição mostra o lançamento do foguete Atlas V com as sondas da missão RBSP



O lançamento aconteceu às 5h05 de Brasília após vários adiamentos devido a problemas técnicos e ao mau tempo na região pela proximidade da tempestade tropical Isaac. Após meia hora, os satélites já estavam posicionados em órbita, segundo a agência espacial americana.

A missão, denominada Radiation Belt Storm Probes (RBSP) , tem como objetivo estudar os cinturões de Van Allen, dois anéis gigantes de plasma que envolvem a Terra e onde se concentram as partículas eletrificadas que formam 99% do universo. 

NASA/T. Benesch, J. Carns
Ilustração mostra os Cinturões de Van Allen, dois anéis carregados eletricamente que envolvem a Terra

Com isso, os cientistas pretendem conhecer melhor o clima espacial próximo à Terra e proteger os humanos e seus sistemas eletrônicos das tempestades geomagnéticas, além de poder estudar o plasma, um ambiente tão diferente do nosso que é considerado crucial para compreender a composição de cada estrela e galáxia.

As sondas RBSP foram desenvolvidas para analisar a forma como o Sol, e em particular as tempestades solares, afetam o entorno terrestre em várias escalas de espaço e tempo.

Outros satélites que orbitam na região estão programados para apagar seus sistemas ou proteger-se quando ocorrem intensas tempestades solares, mas os da missão RBSP seguirão colhendo informação e por isso foram construídos para suportar o bombardeio de partículas e radiação nos cinturões de Van Allen.

A missão é parte do programa "A vida com uma estrela", cujo objetivo é o estudo dos processos fundamentais que podem ter originado o Sol e que incidem no conjunto do sistema solar.

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Os instrumentos das sondas proporcionarão as medições que os cientistas necessitam para compreender não só a origem das partículas eletrificadas, mas também os mecanismos que dotam essas partículas de grande velocidade e energia.

As duas sondas RBSP terão órbitas excêntricas quase idênticas, que cobrem toda a região dos cinturões de radiação, e os satélites se cruzarão várias vezes no curso de sua missão. As sondas octogonais pesam mais de 635 quilos cada uma e medem 1,85 metros de largura e 90 centímetros de altura.

Participação brasileira
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) será um dos responsáveis pela aquisição de dados da missão a partir de novembro. Depois do lançamento, haverá um período de calibração dos sensores, e a partir de então os dados serão transmitidos a várias estações terrestres, entre elas a do Inpe, em Alcântara (MA).

Os dados, de acordo com o Inpe, permitirão um melhor entendimento da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), fenômeno da ionosfera localizado acima da região Sudeste capaz de provocar danos a satélites. Os dados da RBSP permitirão um monitoramento mais completo da AMAS e do fenômeno de precipitação de partículas elétricas que atinge a região.

(Com informações da EFE e da AP) 

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