Descoberta no Laos mostra diferente rota de migração a partir da África

AFP

Fragmentos de crânio encontrados em caverna no Laos
Laura Shackelford
Fragmentos de crânio encontrados em caverna no Laos

Um esqueleto descoberto em uma gruta do Laos mostra que as migrações humanas no Sudeste Asiático começaram 20 mil anos antes do estimado, revela um estudo científico americano publicado nesta segunda-feira (20).

Descoberto na cadeia de montanhas Annamite (norte do Laos), o esqueleto de 46.000 a 63.000 anos de antiguidade, constituiria o conjunto de restos humanos mais antigo já descoberto no sudeste da Ásia, segundo estudo publicado pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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Esta descoberta também mostra que os primeiros seres humanos não seguiram unicamente a costa ao migrar da África para a Austrália, como tinham afirmado alguns pesquisadores, mas também se instalaram no interior, em lugares pouco conhecidos.

"Este esqueleto revela que a migração da África para o leste e o sul da Ásia ocorreu de forma bastante rápida e que, uma vez no lugar, os seres humanos viviam em ambientes aos que estavam acostumados", explicou Laura Shackelford, antropóloga da Universidade de Illinois (norte dos EUA), em Urbana-Champaign.

Restos humanos com aproximadamente a mesma idade tinham sido descobertos na China e em outros locais do sudeste asiático, mas nenhum revelou uma data tão determinada quanto o de Laos.

Esta descoberta acompanha resultados de estudos genéticos que indicam a ocorrência de assentamentos humanos na região há pelo menos 60.000 anos.

"Levando em conta sua idade, o esqueleto poderia ser um antepassado direto dos primeiros migrantes na Austrália", disse Shackelford em um comunicado.

O esqueleto foi descoberto em 2009 mais de dois metros debaixo da terra e uma equipe de cientistas realizou métodos diferentes para determinar sua antiguidade.

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