Diagnosticada doença de múmia de 500 anos

Menina de 15 anos que foi enterrada viva tinha uma infecção pulmonar pouco antes de morrer em um ritual inca na Argentina

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Antropólogos forenses compararam proteínas no corpo da múmia desta menina de 15 anos e descobriram uma infecção pulmonar

Uma garota inca que viveu 500 anos atrás estava com uma infecção pulmonar bacteriana pouco antes de morrer, relatam os cientistas que examinaram a múmia.

A menina – acredita-se que tinha 15 anos – foi sacrificada pelos incas dos Andes no topo do Llullaillaco, vulcão de mais de 6.700 metros que fica na província de Salta, na Argentina, afirmou Angelique Corthals, antropóloga forense da Universidade da Cidade de Nova York. Ela tinha uma enorme ferida em uma das pernas, o que fez Corthals acreditar que talvez estivesse doente quando foi enterrada viva, porém inconsciente, no topo da montanha.

Corthals e seus colegas usaram uma técnica denominada proteômica para comparar as proteínas que encontraram na múmia com grandes bancos de dados do genoma humano. O perfil proteico da múmia corresponde ao de uma pessoa com infecção respiratória crônica, afirmou Liliana M. Davalos, bióloga evolutiva da Universidade Stony Brook e também autora do estudo.

"Pela primeira vez isso é realizado em uma múmia antiga", afirmou Davalos. "Essa técnica é utilizada de maneira rotineira em pacientes com câncer e possui diversas aplicações nas doenças humanas, mas não tinha sido aplicada em um trabalho arqueológico."

Davalos, Corthals e seus colegas relatam suas descobertas no periódico PLoS One.

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A múmia foi descoberta em 1999 por pesquisadores argentinos, juntamente com outras duas múmias de crianças sacrificadas.

"Elas foram enterradas em uma tumba tornada compacta pela solidificação das cinzas vulcânicas e coberta pela neve, por isso eles não ressecaram", afirmou Corthals. "Os corpos de todas estavam lacrados e totalmente preservados."

Os jovens sacrificados provavelmente percorreram 4,8 quilômetros de Cuzco, capital do império Inca, até o cume, afirmou Corthals, e a viagem foi sem dúvida exaustiva. "A menina tinha cabelos brancos e, por isso, eu acredito que ela conhecia seu destino", afirmou a cientista. "E os dentes do menino e da menina menores também estavam danificados pelo ranger de dentes."

As múmias estão expostas no Museu de Arqueologia de Alta Montanha, em Salta.

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