Medvedev anuncia devassa em indústria espacial após lançamentos fracassados

Primeiro ministro russo afirmou que novos erros no lançamento de dois satélites de comunicação mancharam prestígio da indústria espacial do país

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Dmitri Medvedev afirmou que convocará uma reunião para discutir fracassos da indústria espacial. Foto tira em agosto de 2012

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, anunciou que fará uma devassa na indústria espacial do país. Medvedev afirmou que a nova série de fracassos em lançamentos ocasionaram perda de prestígio e de dinheiro. 

"Não sei a razão da perda dos satélites, seja o bloco de propulsão, falhas mecânicas ou a tradicional negligência, ou tudo junto (...), mas agora não podemos continuar assim", afirmou Medvedev, citado pelas agências russas. "Devido aos reiterados erros do programa espacial russo, perdemos prestígio e bilhões de rublos", acrescentou.

O primeiro ministro afirmou que vai realizar na próxima semana uma reunião para discutir o assunto. "O vice-primeiro-ministro e as correspondentes estruturas vão prepará-la. Eles devem apresentar propostas sobre quem castigar e daí o que fazer depois", assinalou.

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Nesta semana a Rússia não conseguiu pôr em órbita os satélites russo Express-MD2 e indonésio Telekom-3 por causa de uma falha no bloco acelerador do foguete portador russo Briz-M, que já tinha falhado em outras ocasiões. Fontes da indústria espacial russa avaliam em 6 bilhões de rublos (quase R$ 403 milhões) as perdas ocasionadas pelo fracasso da missão.

A agência espacial russa, Roscosmos, e toda a indústria espacial nacional estão no olho do furacão devido aos contínuos erros, justamente quando a Rússia foi em 2011 a líder em lançamentos com 32 contra 19 chineses e 18 americanos.

Segundo o diretor da revista "Notícias de Cosmonáutica", Igor Lisov entre a queda da URSS e 2007 o programa espacial russo "teve um financiamento estatal abaixo do mínimo de subsistência" e que o recente aumento do investimento só será notado na qualidade do trabalho dentro de cinco anos.

Além disso, acrescenta-se "o envelhecimento dos especialistas, obsolescência das equipes, a interrupção da produção de alguns componentes e materiais, e do trabalho em certos campos da cosmonáutica".

Devido aos baixos salários, a grande maioria dos especialistas da indústria espacial russa tem mais de 60 anos ou menos de 30, o que põe em sério perigo o futuro do setor.

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