Gelo da Groenlândia é menos vulnerável ao aquecimento global do que se temia

Pesquisador da Universidade de Copenhague questiona previsões sobre degelo no Polo Norte e afirma que ainda é muito cedo para proclamar "apocalipse pela mudança climática"

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Museu de História Natural da Dinamarca
Estudo afirma que existem picos de derretimento e que falta de dados históricos leva a crer que Groenlândia estaria fadada a um derretimento incontrolável

O gelo da Groenlândia parece não ser tão vulnerável quanto se temia a um derretimento que elevaria o nível mundial dos mares, segundo um novo estudo.

"É muito cedo para proclamar o 'futuro apocalipse da camada de gelo' causado pela mudança climática", disse o autor principal do estudo, Kurt Kjaer, da Universidade de Copenhague, em nota divulgada sobre as conclusões a ser publicadas na edição de sexta-feira (3) da revista Science.

Entenda: como ocorre o aquecimento global 

Um exame de fotos antigas tiradas de aviões revelou um grande afinamento das geleiras no noroeste da Groenlândia entre 1985 e 93, escreveram os especialistas da Dinamarca, Grã-Bretanha e Holanda. Outro pico de derretimento na região durou de 2005 a 2010.

A descoberta dessas flutuações levanta dúvidas sobre as projeções de que a Groenlândia estaria fadada a um derretimento incontrolável , provocado principalmente pelo aquecimento global de causa humana. A Groenlândia contém gelo suficiente para elevar em sete metros o nível do mar, em caso de derretimento total.

"(A fase de derretimento) começa e então para", disse Kjaer. "Isso é um rompimento em relação ao pensamento anterior de que seria algo que começa, se acelera e vai consumir toda a Groenlândia de uma só vez."

Mas Kjaer observou que a camada de gelo não aumentou durante a pausa entre as fases de redução.

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Segundo ele, os dados por satélite começaram a ser colhidos apenas por volta de 2000, e o uso de fotos aéreas remonta há 15 anos.

Correntes oceânicas
A causa da intensificação na perda do gelo nos anos 1980 não está clara, mas pode ter relação com uma alternação nas correntes oceânicas. A causa subjacente para as mudanças nas correntes é desconhecida.

A Nasa disse no mês passado que quase toda a superfície da Groenlândia está derretendo, numa rara fase de aquecimento que supostamente se repete a cada século e meio. Recentemente, um iceberg do tamanho de Manhattan se desprendeu da geleira Petermann, ao norte da área estudada pela equipe de Kjaer.

A falta de dados históricos é um problema para climatologistas que estudam a Groenlândia e a camada de gelo da Antártida, que é bem maior e que poderia elevar o nível global dos mares em até 60 metros caso derretesse totalmente.

Uma comissão científica da ONU diz que as emissões humanas de gases do efeito estufa, principalmente pela queima de combustíveis fósseis, causarão mais inundações, secas, ondas de calor e elevação dos mares.

Kjaer afirmou, porém, que os especialistas precisam ser cautelosos ao projetarem uma aceleração da elevação dos mares, que atualmente é estimada em 30 centímetros por século.

A mesma equipe científica publicou em maio dados indicando que o gelo do sudoeste da Groenlândia encolheu durante um período anterior de aquecimento, na década de 1930.

O grupo atualmente possui um banco de dados de 160 mil fotos da Groenlândia, inclusive de levantamentos feitos na década de 1940 pelos EUA. "Isso é algo com que se trabalhar", disse Kjaer.

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