Homens sobrevivem mais a naufrágios do que mulheres e crianças

Análise de 18 catástrofes marítimas mostrou que taxa de homens que se salvaram em um naufrágio é duas vezes maior que a de mulheres

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Bombeiro é levado de helicóptero para o Costa Concordia que naufragou na Itália em janeiro deste ano

A ideia de que, em um naufrágio, as mulheres e as crianças são resgatadas primeiro é um mito, segundo cientistas que analisaram 18 catástrofes marítimas e descobriram que, em geral, os homens dão preferência a salvar a si próprios.

O naufrágio do Titanic - no qual 70% das mulheres das mulheres e crianças a bordo se salvaram em comparação com 20% dos homens - é uma rara exceção à regra e praticamente criou o mito do "mulheres e crianças primeiro", segundo estudo realizado pelos suecos Mikael Elindera e Oscar Erixson, do Departamento de Economia da Universidade de Uppsala, Suécia, e publicado nas Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS).

Na maioria dos casos, o capitão e a tripulação tendem a se preocupar com a própria segurança em primeiro lugar, e os homens a bordo costumam se salvar em dobro em relação às mulheres e a taxa das crianças é ainda pior.

Os pesquisadores analisaram dados de desastres marítimos de 1852 a 2011, incluindo 15.000 passageiros e tripulações de mais de 30 nacionalidades diferentes.

A análise não incluiu a catástrofe do cruzeiro italiano Costa Concordia, ocorrida em janeiro passado e cujo capitão foi muito questionado por ter abandonado o barco antes que os 4.200 passageiros fossem evacuados. No naufrágio morreram 32 pessoas.

Mas o estudo mostra que o comportamento do capitão Francesco Schettino parece não ser tão incomum.

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Os dados históricos mostram que os membros da tripulação "têm uma taxa de sobrevivência superior à dos passageiros e que só nove entre 16 capitães afundaram junto com seus barcos", assinala o estudo.

Os casos nos quais o capitão pediu aos passageiros e à tripulação para dar prioridade às mulheres e crianças foram os que apresentaram melhores taxas de sobrevivência no geral.

No caso do Titanic, o capitão ordenou que as mulheres e as crianças fossem colocados a salvo primeiro e houve informes de empregados que dispararam contra os homens que desobedeceram a esta ordem.

As mulheres sobreviveram mais que os homens em apenas dois dos naufrágios estudados, o do Titanic em 1912, e do Birkenhead, um navio britânico que encalhou no Oceano Índico em 1852.

Consideravelmente menos mulheres que homens sobreviveram em 11 naufrágios, e não houve clara evidência de uma diferença nos cinco casos restantes estudados.

Nos naufrágios britânicos em particular, o estudo revelou que as mulheres sempre se deram pior que os homens, apesar de a ordem se salvar mulheres e crianças se dar com mais frequência nos navios britânicos.

"Isso contrasta com a noção de que os homens britânicos são mais cavalheiros do que os homens de outras nacionalidades", afirma o estudo.

"O que aconteceu no Titanic parece ter passado ideias erradas sobre o comportamento humano durante uma catástrofe", concluem os investigadores.

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