Novo estudo reacende controvérsia sobre relógio biológico feminino

Cientistas descobriram que novos óvulos continuam sendo produzidos até o fim da idade reprodutiva

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A noção de relógio biológico feminino surge da crença tradicional que os ovários não produzem mais óvulos depois do nascimento, mas umnovo estudo genético reacende a controvérsia, de acordo com artigo divulgado nesta quinta-feira na "Public Library of Sciences" (PLoS).

Cientistas do Hospital Geral de Massachusetts e da Universidade de Edimburgo (Reino Unido) traçaram as origens dos óvulos imaturos, chamados de ovócitos, desde o período embrionário até a maturidade.

A noção de relógio biológico nas mulheres provém do fato de que a quantidade de óvulos diminui à medida que elas envelhecem, combinada com a forte crença de que os mamíferos não renovam ovócitos depois do nascimento.

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 Após avaliação cuidadosa dos dados, os pesquisadores chegaram à conclusão que na idade adulta as mulheres produzem novos óvulos. Eles se formam a partir de células germinativas progenitoras que saem do ciclo mitótico, processo que ocorre no núcleo das células eucarióticas e que precede imediatamente a divisão celular.

Ali termina sua capacidade de proliferar através da divisão celular e logo entram em meiose, processo único na formação dos óvulos e do esperma que tira a metade do material genético de cada tipo de célula antes da fertilização.

A opinião tradicional sustentou por décadas a informação de que as fêmeas de mamíferos nascem com todos os óvulos que terão em sua vida, mas as pesquisas mais recentes demonstram que os ovários de camundongos fêmeas e humanas adultas contêm uma rara população de células germinativas progenitoras, chamadas de células-tronco ovogônias, capazes de se dividir e gerar novos ovócitos.

"O objetivo principal do estudo foi provar que existe, realmente, células-tronco produtoras de óvulos imaturos nos ovários das mulheres durante sua vida reprodutiva", disse Jonathan Tilly, diretor do Centro Vincent de Biologia Reprodutiva.

"A descoberta das células precursoras de ovócitos nos ovários de humanas adultas, assim como o fato de elas compartilharem características com suas equivalentes nos camundongos fêmeas que produzem óvulos plenamente funcionais, abre a porta para um desenvolvimento de tecnologias sem precedentes para superar a infertilidade nas mulheres", acrescentou Tilly, chefe do grupo pesquisador.

"É possível também que possamos adiar a idade da decadência dos ovários", acrescentou.

Mediante novos métodos genéticos que traçam o número de subdivisões pelos quais passam uma célula ao envelhecer, os pesquisadores contaram o número de vezes que as células germinativas progenitoras se dividiram antes de se transformar em ovócitos.

Se a opinião tradicional estivesse correta, todas as divisões deveriam ter ocorrido antes do nascimento e todos os ovócitos exibiriam a mesma marca de envelhecimento. No entanto, o que se encontrou é o oposto: os óvulos mostram um aumento de idade à medida que as fêmeas de camundongos envelhecem.

Tilly e as biólogas Dori Woods e Evelyn Telfer chegaram à conclusão que a explicação mais plausível é que as células germinativas progenitoras nos ovários continuam se dividindo ao longo da vida reprodutiva, resultando em novos ovócitos.

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