No futuro, uso de terapia gênica poderá ser permitido nas Olimpiadas

Previsão de investidores de risco é que prática deixe de ser considerada doping para ser considerada um meio de igualar as condições de todos os atletas

Alessandro Greco especial para o iG |

Getty Images
O uso de próteses, como no caso do sul-africano Oscar Pistorius, já é aceito em competições. Empresários acreditam que o mesmo acontecerá com terapia gênica

A capacidade de um atleta em ter uma performance acima da média é fruto não apenas de muita disciplina e trabalho duro; ela está também está nos genes. “Há cada vez mais evidências de que atletas de classe mundial carregam um conjunto mínimo específico de genes ligados a melhoria da performance”, afirmam Juan Enriquez e Steve Gullans, diretores da Excel Venture Management, empresa de capital de risco especializada na criação de empresas na área de saúde, em artigo no periódico científico Nature da semana passada. E completam: “Atualmente mais de 200 variantes de genes já estão associados à capacidade atlética”.

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O resultado, segundo eles, é que no futuro uma das opções é permitir àqueles que não tem esses genes o uso de tecnologias para competir em igualdade de condições com quem teve mais sorte no seu DNA. “Se for seguro, uma terceira opção seria permitir aos atletas que não ganharam na loteria genética ‘melhorar’ através da terapia gênica – uma prática atualmente banida por ser considerada doping genético”. E mostram um exemplo de como alguns paradigmas já estão mudando: “Assim como Oscar Pistorius , o campeão paraolímpico de atletismo, que no passado foi banido das Olimpíadas por usar próteses na pernas (que em tese, lhe dariam vantagens), irá competir em Londres no time sul africano de revezamento, esperamos que conforme modificações genéticas se tornem mais comuns, ocorra uma aceitação gradual de melhorias genéticas seguras”.

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O caminho, porém, não será simples. Há ainda muitas questões e implicações do uso de melhoria genética a serem debatidas antes de que ela seja um dia permitida e quais tipos de terapias seriam consideradas trapaça. Uma questão, colocada por Enriquez e Gullans, é por exemplo quando há uma doença em questão: “Um competidor que tenha sido curado de anemia falciforme mediante terapia gênica quando criança deve ser excluído ou não?” perguntam no texto da Nature. O debate começou, e pelo jeito, está longe de terminar.

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