Ferramentas de pedra dão pistas sobre os primeiros habitantes das Américas

Novo estudo indica pelo menos dois grupos de populações diferentes viveram no continente há mais de 13 mi anos

Alessandro Greco especial para o iG | - Atualizada às

Jim Barlow
Na imagem as três ferramentas datas de 13 mil anos

Pesquisadores americanos descobriram novas provas sobre como os primeiros habitantes da América se espalharam pelo continente. Fósseis de ferramentas de pedra e DNA humano encontrados em cavernas do Óregon, nos Estados Unidos, sugerem que além da já conhecida cultura Clóvis, outro grupo teria ocupado o Oeste.

A chegada do homem à América tem sido alvo de debate há décadas. Nos últimos anos, a teoria mais aceita de que uma leva de migrantes atravessou o estreito de Bering e se espalhou pelo continente, a chamada Cultura Clovis, tem sido cada vez mais contestada.

Um estudo publicado nesta quinta-feira (12) no periódico científico Science aumenta ainda mais este debate ao mostrar que a tecnologia de confecção de pontas de projéteis chamada de “western stemmed” existe há cerca de 14 mil anos. Historicamente, acreditava-se que estas ferramentas haviam se desenvolvido a partir da Cultura Clovis que chegou à América há 13 mil anos.

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A datação de 14 mil anos mostrou o contrário, que ela se desenvolveu em paralelo com Clovis. “Recuperamos quatro pontas de projeteis ‘western-stemmed’ e ao menos duas delas são da época de Clovis ou mais antigas. Demonstramos que, nos Estados Unidos, havia ao menos duas tecnologias há cerca de 13 mil – 13,5 mil anos”, afirmou Dennis Jenkins, da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, principal autor do artigo, em conferência por telefone com jornalistas do mundo todo.

Os pesquisadores usaram radio carbono para datar, no total, 121 amostras de plantas fossilizadas, coprólito (fezes fossilizadas) e colágeno de ossos encontrados nas cavernas Paisley, um conjunto de quatro cavernas localizado no estado do Oregon, nos Estados Unidos. A análise do DNA mitocondrial dos coprólitos mostrou que ele pertence a pessoas do haplogrupo A, um genoma ancestral vindo da Ásia, de um período anterior a Clovis.

O trabalho confirma um estudo publicado em 9 de maio de 2008 também na Science na qual os pesquisadores já haviam afirmado que o DNA destes coprólitos era anterior a Clovis. Desta vez, a análise foi feita por dois laboratórios independentes que chegaram à mesma conclusão. Ao mesmo tempo em que as evidências de datação por radio carbono e a análise de DNA indicam que havia uma cultura pré-Clovis nenhuma evidência de uma cultura Clovis foi encontrada nas cavernas.

Esta semana o periódico científico Nature já havia publicado um estudo afirmando que a migração para a América havia ocorrido em ao menos três diferentes ondas .

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