Especialista explica fenômeno que pode ter causado quebra dos vidros do STF

Deacordo com professor da Coppe/UFRJ, ruído dos caças pode ter feito vidraçasentrarem em ressonância e, por consequência, se partido

Maria Fernanda Ziegler iG São Paulo | - Atualizada às

Alan Sampaio / iG Brasília
Vidros do prédio do STF, em Brasília, quebraram após voo de dois caças Mirage sobre a praça dos Três Poderes



Vidraças do prédio do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, em Brasília, se quebraram durante solenidade da troca da bandeira, neste domingo (1), quando dois caças Mirage sobrevoaram a praça dos Três Poderes. De acordo com a Força Aérea Brasileira, as aeronaves excederam a velocidade adequada para a missão, atingindo em torno de 1.100 km/h. Não houve quebra da barreira do som, mas o deslocamento de massa de ar foi suficiente para romper vidraças

Jules Ghislain Slama, professor da do laboratório de acústica e vibrações da Coppe/UFRJ, explica que o fato pode ter ocorrido por causa de uma série de fatores, principalmente por causa da proximidade das aeronaves com os prédios e o ruído gerado pelos caças.

“Existe a possibilidade do que chamamos de boom sônico, quando uma onda de choque se propaga mais rápido que a velocidade do som e excita estruturas como o vidro, por exemplo. A onda sonora pode fazer o vidro entrar em ressonância e ele se quebra”, disse ao iG . Slama explica que o vidro é um material que apresenta sensibilidade à uma determinada frequência de ruído.

Proximidade
O professor ressalta que não se sabe qual era a velocidade dos caças e a proximidade deles com os prédios. Porém, este fenômeno pode acontecer tanto com aviões supersônicos, como é o caso do Mirage, quanto foguetes – há relatos do fenômeno com o foguete Ariadne -, e até mesmo aviões comerciais e helicópteros. “Em menor escala, é a mesma coisa que acontece com as taças de cristal”, disse.

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“Pode ser também por deslocamento de ar, por causa da proximidade, mas pelo jeito que elas se quebraram, quase todas, acredito que seja mais provável que tenha acontecido o fenômeno da ressonância, mas isto ainda precisa ser investigado”, disse.

Os caças Mirage 2000 foram fabricado pela empresa francesa Dassault, e entrou em operação na FAB em setembro de 2006, quando foram adquiridos para substituir os antigos Mirage 3. As aeronaves chegam a atingir 2,2 vezes a velocidade do som. De acordo com a FAB, os caças chegam a até 2.600 km/h.

O caso ainda será investigado pela FAB. Em nota, o Comando da Aeronáutica afirmou que está apurando as circunstâncias e irá ressarcir os prejuízos. Em nota, a FAB informou que o piloto está temporariamente afastado das atividades aéreas e irá passar por uma avaliação operacional e poderá sofrer sanções.  

Cerca de 40 janelas do Supremo Tribunal Federal e 17 do Palácio do Planalto foram quebradas. As duas construções integram a lista de itens que fazem de Brasília Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1987.

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