Homem já produzia potes de cerâmica há 20 mil anos

Descoberta de fragmentos de potes, em caverna na China, antecipa invenção em 2 mil anos

Maria Fernanda Ziegler iG São Paulo |

Science/AAAS
Fragmentos de cerâmica encontrados na caverna de Xianrendong, na China

Pesquisadores descobriram vestígios de potes de cerâmica de 20 mil anos em uma caverna na China. A descoberta antecipa a criação em 2 mil anos e coincide com o período Último Máximo Glacial, o que faz com que pesquisadores de uma equipe internacional formada por chineses, alemães e americanos acreditem que, mais uma vez, a necessidade foi a mãe da invenção.

Muitos dos fragmentos encontrados na caverna de Xianrendong, na província de Jiangxi, apresentavam marcas de queima, o que indica que a cerâmica não teria sido apenas para armazenar o alimento, mas também para cozinhá-lo.

“Finalmente encontramos inícios de que a cerâmica poderia ter sido uma reação ao frio extremo entre 24.000 e 19.000 anos atrás e que provavelmente havia a necessidade da intensificação da cozinha. Começaram a cozinhar na China e, assim, criou uma tradição culinária que dura até hoje”, disse ao iG Ofer Bar-Yosef, da Universidade de Boston e um dos autores do estudo publicado nesta semana no periódico científico Science.

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A equipe de Bar-Yosef quer entender como diversas populações se desenvolveram em diferentes trajetórias e como diferentes formas de cozinha surgiram.

De acordo com o pesquisador, os potes de cerâmica foram feitos por caçadores-coletores. Deste modo, não haveria relação entre a existência dos potes e o surgimento da agricultura. “Mesmo no Oriente Médio, a agricultura de subsistência foi estabelecida quase 3000 anos antes de começarem a fazer a cerâmica”, disse Bar-Yosef.

De acordo com Gideon Shelach, da Universidade Hebraica, em Jerusalém, e que não participou do estudo, é possível que a cerâmica tenha sido inventada de forma independente em diferentes lugares. “No entanto, o fato de ela tenha sido distribuída no leste da Ásia entre diferentes sociedades em diferentes ambientes sugere que se espalhou da Ásia Oriental através de interações entre as sociedades, talvez junto com outras ideias e tecnologias”, escreveu em artigo que acompanha o estudo.

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