Novo método descobre atmosfera em exoplaneta

Descoberta mostrou que é possível caracterizar os compostos químicos neste tipo de corpo celeste

Alessandro Greco especial para o iG | - Atualizada às

ESO/L. Calçada
Concepção artística do planeta Tau Boötis b, um dos primeiros descobertos, em 1996

Ao longo de 15 anos, cientistas tentaram detectar a presença de atmosfera no exoplaneta tau Boötis b, um dos primeiros planetas fora do sistema solar a ser descoberto, em 1996. A existência dela, porém, foi confirmada apenas agora. “É a primeira vez que é detectada atmosfera em um exoplaneta que não passa na frente da sua estrela. Este tipo de planeta é muito mais comum do que os que passam na frente de suas estrelas. Isto significa que a partir de agora um número maior de planetas pode ser caracterizado e analisado desta forma”, afirmou ao iG Ignas Snellen, da Universidade de Leiden, na Holanda, um dos autores do artigo.

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Os cientistas utilizaram um novo método com o telescópio VLT no Observatório Europeu do Sul (ESO) no Chile que permitiu detectar a presença de monóxido de carbono (CO) na atmosfera de tau Boötis b. “Escolhemos CO porque é dele que esperávamos ter o sinal mais forte neste tipo de planeta, um ‘Júpiter quente’. Foi este o caso. Não ficamos surpresos com o resultado, mas muito animados termos sido capazes de fazer a detecção”, afirmou Snellen.

A denominação “Júpiter quente” vem do fato de tau Bootis b ser planeta imenso, com uma massa de ao menos 4 vezes a do nosso Júpiter e orbitar sua estrela, tau Bootis, a uma distância de menos de um sétimo da de Mercúrio em relação ao nosso Sol.

O próximo passo da pesquisa será utilizar o mesmo método em outros planetas. “Mais importante ainda será fazer isso com novas moléculas como metano e vapor d’água. E, talvez, em uma ou duas décadas, seremos capazes de procurar por oxigênio em planetas similares à Terra o que pode apontar para a existência de atividade biológica”, pontuou Snellen.

Nos últimos anos, a descoberta de exoplanetas se tornou muito mais simples com o uso do observatório espacial Kepler da Nasa  que já detectou até agora 74 planetas extrassolares e tem uma lista 2321 candidatos a planetas que estão sendo analisados. O método utilizado por ela, porém, é válido apenas para planetas que passam na frente de suas estrelas – a diminuição no brilho da estrela indica a presença do planeta.

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