Análise de dentes mostra dieta incomum em ancestral humano

Australopithecus sediba, que viveu há dois milhões de anos, se alimentava de casca de árvores, o que indica que ele habitava florestas fechadas, ao invés de savanas

Alessandro Greco especial para o iG | - Atualizada às

Science/AAAS
Crânio do Au. sediba: fóssil de dois milhões de anos com características de seres humanos modernos

Já é bem estabelecido entre os cientistas que há dois milhões de anos, os parentes do homem moderno viviam em áreas abertas como savanas. Mas a análise de dentes do Australopithecus sediba , parente do homem moderno que viveu no mesmo período, mostrou que – ao menos ele – fugia à esta regra e provavelmente vivia em florestas. A descoberta, publicada nesta quarta-feira (27) no periódico científico Nature, surpreendeu os pesquisadores.

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“Temos grandes evidências (agora) de que hominídeos estavam explorando uma variedade maior de habitats do que acreditávamos. É também a primeira vez que encontramos fitólitos (partículas de sílica produzidas pelas plantas a partir de rejeitos metabólicos) no dente desses hominídeos o que nos dá uma nova visão da dieta dessas espécies ancestrais”, afirmou ao iG Amanda Henry, do Instituto Max Planck, na Alemanha, uma das autoras do trabalho. E completou: “Atualmente temos uma espécie, o Homo sapiens , que consegue vive em quase qualquer ambiente, mas há 2 milhões de anos parece que havia várias espécies de hominídeos utilizando habitats diversos de formas diferentes”.

Os pesquisadores analisaram os dentes Au. sediba e pequenos fragmentos de plantas contidos neles e constataram que a dieta dele era composta basicamente de folhas, frutas e cascas (de árvores). Foi a primeira vez que os cientistas encontraram tecidos de cascas e madeira nos dentes de hominídeos africanos deste período. “A maioria dos outros hominídeos comia mais alimentos de pradarias que o Au. sediba . Estes últimos comiam quase exclusivamente alimentos de ambientes de florestas fechadas. As ranhuras microscópicas nos dentes do Au. sediba indicam que ele comia alimentos mais duros que outras espécies do gênero Australopithecus , o que o aproxima de espécies do gênero Homo e Paranthropus ”, explicou Amanda.

O próximo passo da pesquisa agora é fazer a mesma análise de fitólitos em outros hominídeos. “Queremos ver se conseguimos mais informações sobre a dieta deles. Também queremos usar este método para responder a outras questões sobre o comportamento do Au. sediba , por exemplo, quão longe ele viajava regularmente para conseguir seus alimentos preferidos”, completou Amanda.

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