Oeste da Amazônia era esparsamente habitado antes de Colombo

Descoberta vai contra a ideia atual de que toda a região era toda ocupada naquele período e indica que floresta pode não ser tão resistente a modificações

Alessandro Greco especial para o iG |

De acordo com estudos arqueológicos mais recentes, toda a Amazônia já estava ocupada por grandes sociedades humanas antes da chegada de Cristóvão Colombo à América. Mas um trabalho publicado nesta quinta-feira (14) no periódico científico Science mostrou que ao menos a parte oeste da região era esparsamente habitada naquele período.

“Nossas descobertas são surpreendentes, pois mostram uma imagem muito diferente da habitação humana na Amazônia na era pré-Colombo. Pesquisas arqueológicas recentes do leste e do centro da Amazônia, assim como da região de Beni, na Bolívia, documentaram a existência de grandes sociedades humanas naquele período. O conceito popular atual era de que pessoas modificaram a paisagem de grandes áreas da Amazônia. Nossas descobertas sugerem outra coisa, que essas grandes sociedades existiram primariamente em regiões ricas em recursos naturais, como as perto dos grandes rios e das florestas mais secas, que podiam ser queimadas mais facilmente”, explicou ao iG Crystal McMichael, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, uma das autoras do trabalho.

Leia também:
Nova teoria afirma que Amazônia pré-colombiana foi populosa
Livro polêmico diz que europeus colonizaram América antes de indígenas
Desmatamento revela desenhos no solo da Amazônia
Paternidade múltipla foi habitual nas sociedades indígenas do Amazonas
Funai identifica novo grupo de índios isolados na Amazônia

A descoberta foi feita a partir da análise do solo de 55 diferentes locais da Amazônia. Os cientistas buscaram evidências da presença humana neles como camadas de carvão e depósitos de sílica, dois indicativos da existência de agricultura ancestral. Eles encontraram muito pouco delas na região oeste e também de outros indicadores da presença humana como ferramentas de pedra e cerâmica.

“O conceito de que a maior parte da Amazônia pré-Colombo havia sido modificada ou transformada pela presença humana -- que era baseada em dados provenientes de poucos pontos -- começou a se espalhar por diferentes disciplinas acadêmicas além da arqueologia. Por exemplo, os altos níveis de impacto sugeridos pela ocupação pré-Colombo e pela manipulação da floresta foram colocados como os principais responsáveis por dar forma a distribuição de espécies e aos padrões de biodiversidade de flora e fauna na Amazônia. Nossos dados refutam esta ideia e dão suporte às ideias mais antigas de que a distribuição de espécies e os padrões de biodiversidade refletem processos evolutivos e ecológicos de longo prazo. Talvez o mais importante do nosso trabalho é que ele sugere que não se pode assumir que as florestas da Amazônia são resistentes a grandes distúrbios, pois muitas delas nunca foram manipuladas ou foram apenas levemente modificadas no passado”, afirmou Crystal.

Agora os cientistas querem entender melhor qual o papel humano ao longo do tempo na formação da floresta amazônica como a conhecemos hoje.

    Leia tudo sobre: amazôniaarqueologiafloresta amazônica

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG