DNA mostra que origem do cão doméstico é confusa

Pesquisa mostra que código genético do melhor amigo do homem é tão misturado que ainda não se pode dizer quando e onde o cachorro surgiu como espécie

The New York Times |

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Shar-pei: uma das raças com o dna mais puro, mas que não é das mais antigas

A origem do cão doméstico está sendo alvo de uma polêmica, por conta de novos dados genéticos.

Há consenso em apenas um ponto, de que os ancestrais dos cães eram lobos. Fora isso, existem várias teorias, particularmente sobre datas e locais. Alguns cientistas argumentam que os cães foram domesticados entre 15.000 e 100.000 anos atrás, na Ásia ou na África, ou várias vezes em lugares diversos.

De acordo com Greger Larson, da Universidade de Durham na Inglaterra, existe uma razão para essa confusão. Em um artigo sobre sua nova pesquisa ele argumenta que o DNA dos cães modernos é tão misturado que é inútil tentar descobrir quando e onde os cães tiveram origem.

"Com a quantidade de DNA que sequenciamos até agora", disse Larson, "temos sorte de ter voltado cerca de 100 anos, no máximo".

Ele diz que somente com a análise do DNA de fósseis de cães, que está sendo feita agora, é que respostas sobre essa linhagem irão surgir.

Larson, o primeiro de 20 autores em um artigo sobre a origem dos cães, publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, argumenta que o estudo genético de raças modernas não "nos deixa mais perto de compreender onde, quando e como os cães foram domesticados".

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Larson e seus colegas analisaram 49.024 locais do DNA de cães onde o código genético varia, chamados polimorfismos de nucleotídeo único, ou SNP, na sigla em inglês. Eles pegaram o DNA de 1.375 cães de 121 raças e de 19 lobos.

O que eles descobriram foi que todas as raças ditas modernas estavam tão misturadas que sua história genética ficou obscura.

Eles também encontraram seis raças que eles chamaram de basais, o que significa que seu DNA estava menos misturado: basenji, shar-pei, saluki, akita, spitz finlandês e eurasier.

Quando eles somaram essas raças basais a oito raças consideradas antigas (com mais de 500 anos) em outros estudos, o que eles descobriram foi que os cães geneticamente mais distintos não eram dos lugares onde as mais antigas evidências arqueológicas e os fósseis haviam sido encontrados. Larson disse que a expectativa era que, se essas raças fossem geneticamente mais próximas dos primeiros cães domesticados, elas estariam mais próximas geograficamente, assim como seria mais provável encontrá-las perto do local dos fósseis de seus ancestrais ou dos registros arqueológicos de raças antigas.

Em vez disso, os cães geneticamente mais distintos foram isolados geograficamente recentemente na história da domesticação. Por exemplo, dingos, basenjis e o cão cantor da Nova Guiné vieram do sudeste da Ásia e sul da África, onde os cães não haviam chegado há 3.500 e 1.400 anos atrás, respectivamente. Seus genes distintos foram indicações de isolamento relativamente recente.

Mas, segundo ele, nem tudo está perdido. Os seres humanos enterram seus cães há muito tempo e por isso há fósseis de cães verdadeiramente antigos na vizinhança, de 15.000 anos de idade, dos quais o DNA pode ser extraído. Assim como o DNA dos Neandertais ajudou na descoberta das origens dos humanos modernos, o DNA de fósseis de antigos cães deve ajudar a descobrir a história da domesticação do cão ainda nos próximos anos.

"Olhe", disse Larson, "vamos voltar. Vamos tomar um fôlego. Nós não estamos a um milhão de milhas de distância" de descobrir quando e onde os cães apareceram. "Nós vamos chegar lá".

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