Entre chimpanzés, uso de ferramentas varia conforme o grupo

Estudo mostrou que primatas têm variações culturais conforme os grupos, de modo parecido com os humanos

The New York Times |

MPI f.Evolutionary Anthropology/Sonja Metzger
Chimpanzé usa martelo de madeira para quebrar nozes

Dependendo de onde a refeição é servida, a pessoa talvez coma com vontade usando garfo e faca, pauzinhos ou as mãos. Constatou-se que o chimpanzé possui um tipo de variação cultural semelhante. Grupos vizinhos desses animais possuem modos diferentes de abrir nozes, relata um novo estudo, publicado no periódico Current Biology.

Os pesquisadores notaram que um grupo de chimpanzés selvagens do Parque Nacional de Tai, na Costa do Marfim, prefere usar ferramentas de pedra para abrir nozes por meio de golpes. Outros dois grupos de chimpanzés usaram ferramentas de pedra no início da temporada, quando as nozes estavam mais duras, mas mudaram para ferramentas de madeira conforme elas foram amolecendo.

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As preferências dos grupos de chimpanzés também diferiam em relação ao tamanho da madeira, afirmou Lydia Luncz, primeira autora do estudo e primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, na Alemanha.

Os chimpanzés exibem um tipo de preferência cultural na escolha de ferramentas, afirmou a estudante de pós-graduação.

"Trata-se apenas de uma preferência, pois eles cresceram assim", afirmou. Ocasionalmente, quando não havia pedras suficientes à disposição, os chimpanzés que preferiam ferramentas de pedra recorriam ao uso de madeira.

"Eles sabem como fazer isso", afirmou Luncz. "Eles apenas não gostam."

Ela também percebeu que as fêmeas deixam seus grupos sociais na puberdade para se juntar a novos grupos. Nessa época, elas são especialistas em abrir nozes. Contudo, parece que adotam os métodos de abrir nozes utilizados por seu novo grupo, afirmou
Luncz.

"Do contrário, haveria uma mistura. Mas vemos diferenças claras entre os grupos", afirmou.

Embora os grupos de chimpanzés sejam vizinhos e interajam com frequência, as interações nunca são amigáveis e eles não aprendem uns com os outros.

"É uma guerra constante", afirmou. "Eles não interagem de um modo que possibilite observar um ao outro abrindo nozes."

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