Órgão explica grande armazenamento de comida das baleias azuis

Estrutura descoberta no queixo de grandes cetáceos ajuda a entender como eles conseguem abocanhar grandes volumes de água e comida

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Baleia azul: maior animal vertebrado do planeta tem orgão sensorial para ajudar a estocar quantidade máxima de alimento
A descoberta de um orgão sensorial perto da boca de baleias azuis, minke e jubarte podem explicar como estes animais conseguem se alimentar dentro da água. A maneira como as baleias captam e armazenam alimento era algo pouco compreendido pela ciência. O que se sabia é que em uma só abocanhada, que dura cerca de 6 segundos, elas engolem cerca de 80 m 3 de água e alimento, volume igual ou maior que o volume do próprio corpo dos animais.

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De acordo com pesquisadores da Universidade de da Columbia Britânica e do Instituto Smithsonian, o órgão coordena várias partes da boca do animal durante a estocagem de alimento para que a capacidade seja máxima. “O órgão está localizado entre os ossos da mandíbula  e a garganta para coordenar a abertura e o fechamento da boca”, disse ao iG Nick Pyenson, paleobiólogo do Instituto Smithsonian e autor do estudo publicado na edição desta semana do periódico científico Nature.

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As espécies de baleia que têm este órgão apresentam diferentes hábitos alimentares. As minke comem prioritariamente peixes, enquanto as baleias azuis se alimentam quase que exclusivamente de krill, um minúsculo crustáceo. O armazenamento de alimento é parte fundamental para a sobrevivência destes gigantes. Calcula-se que cada abocanhada capture de 10 a 20 quilos de alimento para estocagem.

Smithsonian
Ilustração mostra o órgão recém-descoberto em baleias azuis, que ajuda com sua alimentação
Pyenson explica que o órgão, que tem o tamanho de uma toranja, ajuda na abertura da mandíbula das baleias, informando ao animal quando a expansão da garganta atinge a capacidade máxima. Além disso, os pesquisadores também acreditam que ele possa mandar informações para o cérebro sobre estratégias para a estocagem de alimento, como a movimentação da mandíbula, virada da língua e a expansão das pregas da garganta e camadas de gordura. “Baleias deste grupo não mastigam, pois não têm dentes, elas engolem a presa de uma vez ” disse Pyenson.

A descoberta foi feita a partir da análise de amostras coletadas de carcaças de baleias fin e minke capturadas dentro da cota de abate de baleias determinada pelo governo da Islândia. Os pesquisadores então realizaram exames de tomografia e raio-x para analisar o novo órgão.

O estudo afirma que o órgão sensorial foi fundamental para que estas espécies desenvolvessem corpos tão grandes. A baleia azul, por exemplo, é o maior animal que atualmente habita o planeta. “As características físicas requereram que a capacidade de armazenar alimento se desenvolvesse antes dos grandes animais observados hoje nestas espécies de baleia. É possível que sem este órgão, elas não se tornassem os maiores animais do planeta”, disse Bob Shadwick da Universidade de Columbia Britânica, também autor do estudo. 

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