Estudo revela que macho alfa é o mais saudável do bando

Análise de grupo de babuínos no Quênia mostrou que o líder estava menos propenso a contrair doenças

AFP |

© Science/AAAS
Briga entre dois babuínos machos adultos: manter-se no topo é cansativo, mas líderes são mais saudáveis
Assim como a riqueza e o status social costumam estar ligados à boa saúde nos seres humanos, o reino animal tem benefícios similares para os que lideram o bando, segundo um estudo divulgado esta segunda-feira nos Estados Unidos.

Depois de estudar os babuínos do Quênia durante 27 anos, os cientistas descobriram que os machos alfa eram menos propensos a caírem doentes e se recuperavam mais rapidamente de suas lesões do que aqueles que ocupam as escalas mais inferiores de seu bando.

Os resultados surpreenderam os cientistas, já que pesquisas anteriores mostraram que os machos em posições de alto nível enfrentam muito estresse e costumam acasalar com tanta regularidade que fragilizam seu sistema imunológico.

Segundo os autores do estudo, o tipo de estresse que enfrentam os machos de menor status - estresse crônico, velhice, mau condicionamento físico - explicaria as diferenças de saúde nos dois grupos.

"Nos seres humanos e nos animais, tem sido sempre uma grande discussão se o estresse de estar na parte superior da comunidade é melhor ou pior do que estar na parte inferior", explicou a autora principal do estudo, Beth Archie, bióloga da Universidade de Notre Dame.

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"Nossos resultados sugerem que, embora os animais nas duas posições sofram estresse, vários fatores associados ao alto nível poderiam servir para proteger os machos dos efeitos negativos do estresse", acrescentou.

Os dados para o estudo, publicado nas Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS, na sigla em inglês) surgiram de informações coletadas de 1982 a 2009 de 166 babuínos machos adultos que viviam em grupos com 17 machos adultos, assim como com outras fêmeas.

Os cientistas estudaram as lesões sofridas pelos machos, com frequência provocadas por lutas entre si, entre as quais havia cortes, ferimentos pungentes, contusões, arranhões e um ferimento no olho.

Ao registrar o tempo que os diferentes machos levaram para se recuperar das lesões, a pesquisa demonstrou que os de status elevado se curaram mais rapidamente do que os machos de menor status.

Mas os dados não revelaram o que marcou a diferença: se os babuínos atingiram um alto patamar pela superioridade de seu sistema imunológico ou se a saúde dos babuínos era melhor por estar na parte superior da escala hierárquica do bando.

Os autores do estudo provêm da Universidade de Princeton (Nova Jersey, leste), do Instituto de Pesquisa de Primatas dos Museus Nacionais do Quênia em Nairóbi, da Universidade de Nairóbi e da Universidade Duke, na Carolina do Norte (leste dos Estados Unidos).

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