Cientistas descobrem bactérias “mortas-vivas” no fundo do mar

Micróbios sobrevivem quase sem oxigênio enterrados na lama do fundo do Oceano Pacífico desde o tempo dos dinossauros

Alessandro Greco, especial para o iG |

Science/AAAS
Hans Røy examina amostra de lama coletada no fundo do mar do Pacífico
Micróbios enterrados no fundo do mar há 86 milhões de anos continuam vivos e ativos, ainda que com metabolismos lentíssimos. A descoberta foi feita por um grupo de pesquisadores liderados por Hans Røy, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, e publicada na edição desta quinta-feira do periódico científico Science. “Esses micróbios vivem em câmera lenta”, explicou Røy ao . E completou: “Cerca de 90% dos micróbios deste planeta vivem nas profundezas do solo oceânico. Isto significa que a maioria dos organismos neste planeta estão lá embaixo e que não sabemos quase nada sobre eles”.

Leia também:
Descoberta em caverna isolada bactéria resistente a antibióticos

Bactérias podem ser responsáveis pela formação de granizo e neve
Cientistas encontram bactérias vivas enterradas em sal há 34 mil anos
Cientistas descobrem bactérias que usam hidrogênio como fonte energética

A equipe usou sensores para medir a quantidade de oxigênio em amostras de lama do fundo do Oceano Pacífico. O resultado foi uma quantidade tão pequena que os cientistas não sabem como os micróbios conseguem sobreviver. A suspeita é que o consumo energético deles seja o mínimo necessário à existência de um ser vivo. “Todos os micróbios que somos capazes de conhecer, os compreendemos bem porque eles crescem rápido. Caso contrário não conseguiríamos cultivá-los em laboratório”, ponderou Røy.

Science/AAAS
A lama desta amostra, que foi parte do estudo de Røy, tem dezenas de milhares de anos
Já bactérias recém-descobertas se reproduzem com um intervalo que vai de centenas a milhares de anos. A amostra de lama onde os micróbios foram encontrados é contemporânea aos dinossauros.

A vida em câmera lenta nas profundezas do mar deve, porém, ser muito comum segundo os pesquisadores. “Nossa pesquisa observou a atividade de todos os micróbios em conjunto na lama. Tudo que sabemos sobre esses organismos individualmente é que eles são diferentes que os que cultivamos em laboratório. Se queremos entender como esses seres que crescem devagar embaixo do solo marinho, teremos de encontrar meios de analisá-los um a um”, comentou Røy.

    Leia tudo sobre: micróbiosbactériasmetabolismo

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG