Descoberta da condição em pliossauro significa que dinossauros também podem ter sofrido com doenças do envelhecimento

Judyth Sassoon analisou a mandíbula de um fóssil de pliossauro com artrite
Simon Powell
Judyth Sassoon analisou a mandíbula de um fóssil de pliossauro com artrite
O estudo de um antigo réptil marinho mostrou que a mandíbula dele tinha características de uma doença bem conhecida dos humanos: a artrite. É o que relata estudo publicado nesta terça-feira (15) no periódico científico Paleontology sobre o crânio de um pliossauro, carnívoro dos mares que viveu há cerca de 150 milhões de anos, na época dos dinossauros.

O desenvolvimento da doença parece ter sido resultado do envelhecimento natural do animal. Para chegar a esta conclusão, Judyth Sassoon, principal autora do artigo, da Universidade de Bristol, Inglaterra, notou que a junta da mandíbula esquerda tinha sinais de degeneração semelhantes à artrite em humanos. “Cada vez que aprendo algo sobre as criaturas extintas que habitaram este planeta antes de nós fico mais admirada. Uma condição de artrite nunca havia sido vista em um fóssil antes. Foi uma descoberta incrível”, afirmou ao iG .

A condição pode ter afetado também outros animais do mesmo período, como os dinossauros. “É muito provável que outros animais do Mesozóico, como dinossauros, crocodilos e répteis marinhos fossem suscetíveis a diversas doenças sobre as quais sabemos muito pouco, pois os sintomas raramente ficam conservados nos fósseis. Répteis, porém, são um grupo de animais relacionados entre si e doenças em uma família deles pode facilmente se refletir em outra”, explicou Judyth.

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Com cerca de 8 metros de comprimento, crânio de 2 metros e dentes de 20 centímetros, o pliossauro – mais precisamente, a pliossaura, pois ao que tudo indica era uma fêmea – era capaz de literalmente destroçar boa parte de seus colegas dos mares. Ela, no entanto, parece ter morrido quando sua mandíbula, de tão fraca, quebrou e ela não foi mais capaz de se alimentar.

Recentemente Judyth observou uma possível artrite em um animal vivo. Foi em um Parque de Safari perto da cidade de Birmingham, na Inglaterra. “Lá eles têm um crocodilo que parece ter um desvio na mandibular inferior muito semelhante ao do pliossauro. Ele está vivo, é um pouco mal humorado, mas claramente capaz de viver e se alimentar mesmo com esta condição. Ou seja: temos um ser vivo análogo com, ao menos, a mesma condição anatômica que encontramos no pliossauro. Não sabemos, no entanto, ainda se a causa do desvio é exatamente a mesma”.

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