Estudo descobre que há salvação para as "formigas-zumbis"

Pesquisadores constataram que fungo que estava dizimando espécie de formiga está sendo atacado por outro fungo

The New York Times |

David Hughe­s/Pen­n State Unive­rsity
Na imagem, uma formiga zumbi atacada pelo fungo 'Cordyceps unilateralis'
Assim como um ser saído de um filme de terror, o fungo Cordyceps unilateralis ataca e invade o cérebro da formiga carpinteira ( Camponotus spp. ). A formiga possuída caminha para a morte e o fungo continua a viver dentro de seu exoesqueleto.

Um novo estudo agora relata que o fungo das "formigas-zumbis" enfrenta o ataque de outro fungo.

O segundo atacante é um fungo branco ( Tremella fuciformis ), que, "à procura de seu próprio lanche, acha que a formiga morta é algo bom para comer, juntamente com o fungo que está comendo a formiga", afirmou David Hughes, biólogo especialista em doenças da Universidade do Estado da Pensilvânia e um dos autores do estudo.

Esse ataque evita que os esporos do fungo Cordyceps unilateralis se espalhem e infectem outras formigas da colônia, afirmou Hughes.

"Pensando na colônia, isso é algo positivo para as formigas", afirmou o cientista. "O inimigo do inimigo é um amigo."

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Demora cerca de nove dias para a formiga morrer após ser atacada pelo Cordyceps unilateralis . Um ou dois meses depois, o Tremella fuciformis pode aparecer e atacar o parasita que se desenvolve a partir dos restos mortais da formiga, afirmou Hughes.

Ele e seus colegas estudaram as formigas carpinteiras que habitam as florestas tropicais brasileira e do sul da Tailândia. Há mais de mil espécies de formigas carpinteiras em todo o mundo.

A integração entre fungos e formigas ilustra o grau de complexidade das relações entre os seres, afirmou Hughes.

Isso pode ser particularmente verdade no ambiente de uma floresta tropical, uma vez que ali não há inverno, estação do ano em que as fontes de alimento tendem a diminuir.

"Então a existência se torna uma procura ininterrupta por comida", afirmou Hughes. "Nós de fato não solucionamos o mistério das complexas interações que ocorrem ali."

O estudo está publicado no periódico PLos One.

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