Mamífero hírax canta com jeito regional

Pesquisadores descobriram que música dos híraxes varia de acordo com o local em que o animal habita

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Debbie Hill/The New York Times
Os híraxes são comuns na África e no Oriente Médio
Antes de mais nada, o hírax não é o Lorax, e ele não fala pelas árvores. Ele canta, e por conta própria.

No entanto, o hírax ( Procavia capensis , também conhecido como damão-do-cabo) lembra um pouco os personagens do Dr. Seuss. Um tanto parecido com um coelho, um pouco semelhante a uma marmota. Seus parentes vivos mais próximos são os elefantes, peixes-boi e dugongos. E o canto dos híraxes machos é complexo como o dos pássaros, no sentido de que podem cantar ininterruptamente por 5 a 10 minutos – aparentemente, para se anunciar.

Já era de se esperar que o hírax tivesse algumas características incomuns – suas patas, dependendo de como se olha para elas, assemelham-se às dos elefantes, segundo os especialistas, e seus dentes frontais visíveis são presas realmente muito pequenas. Mas Arik Kershenbaum e seus colegas da Universidade de Haifa e da Universidade de Tel Aviv descobriram algo mais surpreendente.

A música dos híraxes possui algo raramente encontrado em mamíferos: sintaxe que varia de acordo com o local em que o hírax habita e dialetos geográficos na forma como entoam suas músicas em conjunto. A pesquisa foi publicada online na quarta-feira no periódico The Proceedings of the Royal Society B.

O canto dos pássaros apresenta sintaxe, uma ordenação dos componentes da música de diferentes formas, mas pouquíssimos mamíferos produzem esses sons ordenados e arranjados. As baleias, morcegos e alguns primatas mostram sintaxe em suas vocalizações, mas ninguém esperava tanta sofisticação nos híraxes e acreditava-se que a seleção dos sons em suas músicas fosse relativamente aleatória.

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Os híraxes são comuns na África e no Oriente Médio e há muitos deles onde Kershenbaum vive. Ele ouvia o seu canto e pensava: "Eu simplesmente não acredito que essas músicas complexas possam ser totalmente aleatórias".

Então ele e seus colegas gravaram o canto de híraxes m vários lugares de Israel e analisaram a composição das músicas usando técnicas matemáticas retiradas de análises genéticas. Eles encontraram uma sintaxe complexa e variada e suspeitam que os dialetos possam ser transportados pelos machos quando eles atingem a maturidade e deixam seu habitat e que as diferenças entre os dialetos surjam conforme outros híraxes copiam o som de forma imperfeita ou improvisada.

Seu canto não é como o dos pássaros, como é possível imaginar pela maneira como os cientistas decompuseram as notas ou sílabas dos híraxes. Os cinco tipos de sons são "gemidos", "cacarejos", "roncos", "ruídos" e "piados".

A sintaxe, segundo Kershenbaum, é um dos elementos essenciais da linguagem. Não que ele ou qualquer outra pessoa esteja dizendo que os híraxes conversem entre si, ou conosco, ou que possuam qualquer coisa semelhante a linguagem.

As canções, segundo ele, provavelmente não trazem qualquer informação no seu arranjo de sons, embora os machos possam torná-las mais longas e mais complexas para atrair as fêmeas, exibindo suas músicas da mesma maneira que outros animais exibem plumagens elaboradas ou chifres grandes.

Mesmo assim, encontrar arranjos tão complexos a não ser em baleias, morcegos ou primatas é significativo e pode sugerir que a sintaxe esteja presente em outros mamíferos também.

Híraxes são comuns onde os humanos vivem, disse Kershenbaum, e são relativamente populares, apesar de ele receber telefonemas de pessoas perguntando como manter os animais fora de seus jardins – o que não é exatamente a sua área de especialização. As pessoas que ligam realmente não querem machucar os híraxes, disse ele.

"Eles são muito queridos", disse, "mesmo quando odiados".

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