Degelo na Groenlândia se acelera, mas não está descontrolado

De acordo com estudo, previsão é que com perda de gelo na região, mar subirá 0,8 m até 2100, menos que os dois metros previstos

iG São Paulo |

Science/AAAS
De acordo com novo estudo, foi observada aceleração de 30% em média no derretimento das geleiras
Análise do degelo nos principais geleiras da Groenlândia mostrou que o nível do mar não deve subir dois metros no próximo século, ao contrário do que prevê boa parte da comunidade científica. De acordo com pesquisadores da Universidade de Washington, se a perda de gelo na região continuar a acelerar, o nível do mar pode subir no máximo 80 centímetros até 2100. Isto porque existem diferentes tipos de geleiras – como as de terra ou sobre o mar – que apresentam padrões muito diferentes de degelo, dependendo de onde estão.

“Até agora, em média, vimos uma aceleração de 30% no derretimento em 10 anos”, disse Twila Moon, da Universidade de Washington e autora do estudo publicado no periódico científico Science. Os pesquisadores combinaram dados de satélites para produzir mapas da velocidade de mais de 200 geleiras da Groenlândia entre 2000 e 2010. As alterações na velocidade com que o gelo viaja pelo oceano indicam que a contribuição do país para o aumento do nível do mar deve ser menor que o limite máximo de 2 metros previsto anteriormente.

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Os pesquisadores concluíram que quanto mais rápido as geleiras se movem, mais gelo e água eles liberam para o oceano. Em estudos anteriores, cientistas que tentavam entender a contribuição do degelo no aumento do nível do mar consideraram um cenário no qual o derretimento dobraria de velocidade entre 200 e 2010 e então se estabilizaria na velocidade máxima, e outro cenário, ela cresceria dez vezes e então se estabilizaria.

Com o novo estudo, foi possível observar que existe um complexo padrão de comportamento no degelo da Groenlândia. Os cientistas descobriram que quase todas as maiores geleiras que terminam em terra se movem a uma aceleração de 9 a 99 metros o ano, e suas alterações de velocidade são pequenas. Geleiras que terminavam em fiordes se movimentavam de 300 metros a 1.600 metros, mas não ganharam velocidade ao longo da década.

“Nós não podemos analisar uma geleira por 100 anos, mas podemos olhar duzentas por dez anos e ter alguma ideia sobre o que está acontecendo”, disse Ian Joughin, glaciólogo e autor do estudo.

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