Fungo dizima mais de 200 espécies de anfíbios em todo mundo

Cientistas descobriram que parasita pode ser a causa das altas taxas de extinção do grupo de vertebrados

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
Rã típica da Califórnia: fungo engrossa a pele e causa ataque cardíaco
Um fungo aquático tem causado um estrago considerável na população de anfíbios. Com o nome científico de Batrachochytrium dendrobatidis , ele dizimou mais de 200 espécies de sapos, rãs, salamandras e outros animais ao redor do mundo e é um dos responsáveis pela atual alta taxa de extinção desses animais . “Não há dúvida de que este fungo causou um declínio e extinção catastróficos. Não é o único problema que leva à perda de anfíbios, mas é muito importante entendê-lo”, afirmou ao iG Jamie Voyles, um dos autores do estudo, da Universidade de Berkeley, Estados Unidos.

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Os pesquisadores descobriram que o fungo mata os anfíbios ao tornar a pele deles 40 vezes mais espessa e incapaz de absorver água e eletrólitos como sódio e potássio pela pele. Sem poder fazer essa troca com o ambiente, os animais ficam desidratados e morrem literalmente de ataque cardíaco.

Publicado no periódico científico PLoS One, o estudo foi feito com sapos das espécies Rana muscosa e Rana sierra nas montanhas de Sierra Nevada, na California, Estados Unidos, no momento em que a epidemia acontecia entre julho e outubro de 2004. “Tivemos a uma oportunidade única de estar no campo no momento em que ocorria a epidemia. Ficamos muito surpresos com as evidências de desidratação e com quão baixo estavam os níveis de eletrólitos. Essas descobertas indicam que os sapos tiveram mudanças muito mais significativas no equiilíbrio dos eletrólitos do que imaginávamos originalmente”, explicou Voyles. Outros estudos já haviam associado o fungo à mortandade de anfíbios em outros locais, mas a pesquisa de Voyles analisou o mecanismo que causava a morte dos animais e extrapolou seus resultados para outras ocorrências, chegando ao número de 200 espécies afetadas.

O próximo passo da pesquisa, feita em conjunto com pesquisadores da Universidade Estadual de San Francisco também nos Estados Unidos, é encontrar um meio de salvar sapos – os de Sierra Nevada foram praticamente liquidados pelo fungo. “Em nosso artigo sugerimos que usando tratamentos como soluções anti-fungo no momento certo poderemos salvar espécies valiosas de anfíbios”, completou Voyles. 

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