Famílias tentam reconstruir suas casas em União dos Palmares

Prefeito afirma ao iG que número de mortos pode chegar a 40 só na cidade, uma das mais castigadas pelas chuvas em Alagoas

Ricardo Galhardo, enviado a União dos Palmares (AL) |

O prefeito de União dos Palmares, Areski Freitas (PTB), estima que cerca de 30 das 600 pessoas desaparecidas na cidade em função das enchentes estejam mortas. Com isso, pode chegar a aproximadamente 40 o número de vítimas fatais na cidade mais castigada pelas chuvas do último final de semana.

null“Até agora temos 12 óbitos confirmados. Dos desaparecidos, estimamos que umas 30 pessoas tenham sido carregadas pela água. As outras estão em casas de parentes, amigos e ainda não conseguiram se comunicar com suas famílias”, disse o prefeito ao iG em seu gabinete tomado por assessores e policiais militares que coordenam os trabalhos de restabelecimento da ordem na cidade.

Segundo ele, cerca de 10 mil desabrigados estão em escolas. Outras centenas preferiram ficar em casas de amigos. Embora o comércio esteja funcionando normalmente na maior parte da cidade (na área que não foi atingida pela cheia do rio Mundaú) faltam água, comida, colchões e roupas para os desabrigados.

De acordo com o prefeito, só nesta terça-feira chegaram os primeiros carregamentos com ajuda do governo federal, cerca de 2 mil cestas básicas. “Até agora é o poder municipal que tem feito tudo. Ainda não chegou nada do governo estadual e federal”, disse o prefeito.

Aproximadamente 1.100 casas situadas às margens do rio foram totalmente destruídas. Com a volta do rio ao seu volume normal, muitos moradores aproveitaram o dia para tentar recuperar seus pertences. Não sobrou quase nada. Alguns aproveitavam cacos de telhas, tijolos e pedaços de madeira, vasos sanitários, já pensando no futuro, na reconstrução, apesar do risco de novas enchentes.

“Daqui não saio”, disse o pedreiro Benedito Atalaia da Silva, enquanto ajudava o filho mais velho, Jadson, a preparar o terreno para a construção de um barraco provisório. “Nas escolas tem um monte de maloqueiro que gosta mesmo é de arrumar confusão e, se brincar, roubam as coisas de gente”, argumentou.

A prefeitura ofereceu um terreno para construção de um conjunto habitacional em parceria com o governo federal para onde seriam transferidas as famílias que vivem nas áreas de risco. “A cheia aqui é periódica só que há muito tempo não acontecia com essa intensidade”, disse o prefeito.

Segundo ele, na última grande enchente, em 2000, 500 famílias foram transferidas das áreas de risco para um conjunto habitacional. Poucos anos depois as áreas já estavam novamente ocupadas. “Não adianta. O povo acaba voltando para lá apesar do risco. Agora quero ver se conseguimos fazer alguma coisa para proibir de vez”, disse o prefeito.

“Eu tinha ali uma palhoça para festejar o São João mas acabou tudo. Acabamos nós, a minha família, perdemos tudo”, disse Benedito. “Graças a Deus ainda encontrei este santinho mas nem Ele foi capaz de ajudar”, lamentou, enxugando as lágrimas enquanto segurava uma imagem de Jesus Cristo suja de lama.

Saques e assaltos

Enquanto as autoridades e vários moradores se mobilizam em solidariedade aos desabrigados, outros se aproveitam da situação para saquear e roubar. O comando da Polícia Militar em União dos Palmares solicitou um contingente extra para conter a onda de saques a casas abandonadas e estabelecimentos comerciais.

Alguns desabrigados denunciaram a ocorrência de furtos nos abrigos. “Eles falam que está chegando um caminhão com ajuda e quando a gente sai levam tudo”, disse uma pessoas que não quis se identificar com medo de represálias.

Em Pernambuco, onde sete cidades decretaram estado de calamidade pública por causa da chuva, a Polícia Rodoviária Estadual orienta motoristas a evitarem as estradas menos movimentadas devido ao risco de assaltos. Pelo menos cinco casos foram registrados nos últimos quatro dias só na estrada que liga as cidades de Vitória de Santo Antão e Escada.

FOTOS DA DESTRUIÇÃO EM ALAGOAS

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