Falta de luz frustra a torcida dos desabrigados em Murici

Os poucos que conseguiram salvar televisões da enchente em Alagoas tentam assistir aos jogos do Brasil no Mundial da África do Sul

Agência Brasil |

Em meio à destruição provocada pela enchente que tirou a vida de noves pessoas em Murici, a cerca de 50 km de Maceió (AL), a esperança de viver alguns momentos de alegria se apagou poucos minutos antes do início do jogo da seleção brasileira contra o Chile, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Faltou luz no município.

Agência Brasil
Em meio ao caos e sofrimento, desabrigados ainda tentam torcer pelo Brasil

Na enchente que atingiu a pequena cidade há 11 dias, José Wendson dos Santos só conseguiu salvar a geladeira e a televisão. Alojado com a mulher e os filhos em um galpão da prefeitura de Murici, junto com mais 30 famílias, ele se preparou como qualquer torcedor. “Consegui salvar a televisão e vamos ver o jogo do Brasil!”, disse animado. Minutos antes do início da partida, a decepção. “A energia acabou. Agora, é esperar”, disse visivelmente entristecido.

No mesmo abrigo, a dona de casa Aurelina Leandro da Silva já estava conformada. “Como vou ver? Minha televisão foi levada pela enchente. O jeito vai ser dormir”, disse repetindo um lamento comum entre os moradores da cidade. “Não estava sabendo, minha televisão foi embora junto com a minha casa”, disse Elmison Esmerindo dos Santos, outro morador do galpão.

Em um abrigo próximo, três pessoas da mesma família tentavam de todos os modos sintonizar o aparelho de TV. “Estamos improvisando”, disse Wellington Marques enquanto aguardava a volta da energia. A luz até voltou no fim do jogo, mas não adiantou. “Não estamos conseguindo sintonizar”, disse, frustrado, Leandro dos Santos, que subiu no telhado para instalar uma antena parabólica salva da enchente.

O problema do motorista Edson Mariano Penede era fazer a TV funcionar. O aparelho dele molhou durante a cheia. “Estou colocando no sol para ver se liga”, disse esperançoso. Mas, com o apagão que atingiu a cidade, a tentativa foi em vão. Com as unhas pintadas de verde e amarelo, a frentista Taciana de Moraes contou à Agência Brasil que conseguiu salvar a televisão da enxurrada, mas não ia poder ver o jogo. O posto de combustível onde trabalha não fechou durante a partida.

O presidente da Câmara de Vereadores da cidade, Anísio Amorim, disse que conseguiu salvar computadores e móveis da câmara, que foi totalmente alagada pela enchente. No hora do jogo, a casa dele, localizada na parte alta da cidade, era uma das poucas que tinha energia. “Que sorte”, comemorou aliviado.

Murici tem 25 mil habitantes. Mais de 10 mil foram atingidos pela cheia do Rio Mundaú, que destruiu mais de duas mil casas. Com a forte de chuva de domingo o rio voltou a subir, assustando os moradores. Boa parte do centro da cidade está intrafegável. No fim de semana, a cidade ficou em estado de alerta, depois que a Defesa Civil soltou um aviso sobre a possibilidade de ocorrência de novos temporais.

Após o jogo do Brasil, a desabrigada Maria dos Santos contou que comemorou os três gols da vitória da seleção sobre o Chile ao ouvir o barulho dos fogos de artifício. “Copa do Mundo e final de novela todo mundo quer ver. Mas hoje só comemorei por causa dos foguetes”, disse conformada. A torcida, agora, é para que na próxima sexta-feira, quando o Brasil volta a campo para enfrentar a Holanda, nem a chuva, nem a energia elétrica frustrem novamente esses brasileiros.

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