"Vamos montar nossas vidas aqui", diz desabrigada sobre nova casa

Moradores de área de risco são transferidos para apartamentos de conjunto habitacional

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Claudia Dantas
Ilza Gomes festeja novo apartamento em conjunto habitacional
Recomeço. Essa é a palavra de ordem para 50 famílias que moravam no Morro do Urubu, em Pilares, zona norte do Rio, e se mudaram nesta segunda-feira para um conjunto habitacional em Realengo, na zona oeste. Com suas casas sob risco de desabamento por causa das chuvas, essas pessoas agora irão viver em apartamentos de dois quartos, com sala, cozinha e banheiros, avaliados em R$ 50 mil. "Agora é bola pra frente. Vamos montar nossas novas vidas aqui", diz esperançosa a cozinheira Ilza de Almeida, de 58 anos.

Nascida e criada no Morro do Urubu, Ilza confessa que inicialmente ficou triste em deixar sua comunidade. A tristeza, no entanto, ficou para trás após rever os vizinhos e se deparar com as novas condições de moradia. "Pensei que fosse ser separada dos meus amigos. Quando pisei no condomínio e os revi foi só felicidade", comemora. "Minha casa estava em área de risco e tinha muita água escorrendo. Tiraram a gente de lá para não acontecer o pior", completa a cozinheira.

O medo de uma tragédia iminente no Morro do Urubu também deixava apreensiva a auxiliar de enfermagem Maria Helena Fidélis, de 60 anos. "O solo estava rachado. Não conseguia dormir direito. Às vezes ia para a casa da minha irmã com medo de que caísse tudo", relembra emocionada. "Fiquei contente com a mudança. Nem quero mais ir embora. Por causa da artrose, não aguentava mais subir o morro. Aqui só tenho que subir um lance de escada", festeja.

Claudia Dantas
Sara do Rosário, com a filha, aguarda a chegada da mãe ao condomínio
Segundo a dona de casa Sara do Rosário, de 60 anos, os problemas com as casas do Morro do Urubu tiveram início em dezembro. "Vínhamos sofrendo com as pedras caindo por causa das chuvas, mas nada havia sido atingido até então. Com o temporal deste mês, alguns imóveis racharam e, senão tivéssemos saído, iria cair tudo sobre a gente", diz, enquanto arruma com a filha a casa no conjunto habitacional onde irá morar sua mãe, a aposentada Maria de Luz, de 96 anos. "Lá ela ficava presa dentro de casa. Aqui, ela vai poder andar e vai ter o seu espaço", comemora.

Para a auxiliar de creche Olga de Almeida, de 31 anos, a mudança de Pilares para Realengo tem um ponto negativo. "Vou ter que pegar o ônibus de madrugada para ir para o meu trabalho. Vai ficar difícil, mas estou feliz pelos meus filhos", avalia. A mesma questão preocupa Ilza de Almeida. "Ir daqui para o trabalho, eu já descobri. Como voltar pra cá eu não faço ideia. Vou ter que aprender", diz, com a certeza de que, mesmo com esse percalço, o pior já passou.

Mudanças

Claudia Dantas
Sara do Rosário, com a filha, aguarda a chegada da mãe ao condomínio
De acordo com a Prefeitura do Rio, o trabalho de transferência de moradores do Morro do Urubu para o conjunto habitacional em Realengo deve durar cerca de três meses. No total, 250 famílias da comunidade serão beneficiadas com a mudança. Os imóveis doados pela prefeitura fazem parte do Programa Minha Casa Minha Vida. Os moradores do novo condomínio irão pagar uma taxa mensal de R$ 50 mais contas populares de luz e água.

Também afetados pelas chuvas, os moradores dos morros do Fogueteiro e dos Prazeres, em Santa Teresa, vão ser realocados em um empreendimento que será erguido no terreno do antigo presídio Frei Caneca. Já as pessoas que moram na comunidade São João Batista, em Botafogo, receberão uma indenização, e os que moram no Cantinho do Céu e no Pantanal (no Complexo do Turano, na Tijuca), farão parte do programa de aquisição assistida, em que a compra do novo imóvel é acompanhada pelo município.

Segundo a Prefeitura do Rio, as famílias da comunidade Parque Colúmbia, na Pavuna, serão levadas para um empreendimento do Minha Casa Minha Vida no bairro de Campo Grande, semelhante ao de Realengo. O único caso para o qual ainda está sendo definida uma solução mais adequada é a da comunidade Laborioux, na favela da Rocinha.

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