"Vai ter gente querendo lucrar com nosso drama", diz desabrigada

Desabrigados receberão cerca de R$ 400 para aluguel, valor que consideram insuficiente

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Residentes do Morro do Urubu, em Pilares, na zona norte do Rio, são os primeiros a serem removidos após as fortes chuvas da semana passada na cidade.



Vários caminhões de mudança alugados pela Prefeitura do Rio, além de um reboque, dão auxílio na transposição de móveis dos moradores da comunidade. Assistentes sociais, desde a semana passada, explicam aos residentes da favela porque é preciso a remoção imediata do local. Não foi preciso usar a força policial na atuação desta segunda-feira.

"Nunca gostei de morar em comunidade, não há quem goste. Mas daqui vou levar as boas lembranças passadas com vizinhos bacanas", disse, em tom de lamento, a técnica de enfermagem Maria Ribeiro.

George Magaraia
Maria Ribeiro desolada com a remoção da sua casa no Morro do Urubu, no Rio de Janeiro

Assim como ela, todos os que tiveram suas casas interditadas e demolidas receberão ajuda de R$ 400 mensais para pagar um aluguel. O valor, dizem alguns, não é suficiente para pagar por uma moradia.

"Para onde eu vou com esse dinheiro? Para outro morro, para outra área de risco. Não tem condição de pagar aluguel, luz, água, todas as contas, só com isso", calcula Maria Ribeiro.

Ainda segundo ela, os preços dos imóveis na região tendem a aumentar com a procura por novas moradias. "Vai ter muito morador procurando local para morar por aqui mesmo. Isso quer dizer que, uma casa custando R$ 400, vai subir para além dos 600, pode ter certeza. Vai ter gente querendo lucrar com o nosso drama", palpita a técnica de enfermagem, que ainda não sabe se vai para a casa de parentes ou para abrigo da prefeitura.

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