Sobe para 224 o número de mortos pela chuva no Rio de Janeiro

Subiu para 224 o número de vítimas fatais em razão do mau tempo que atinge a Região Metropolitana do Rio de Janeiro desde a noite da última segunda-feira. Em Niterói, município mais afetado pelas chuvas, já são 141 mortos. Desse total, 32 pessoas moravam no Morro do Bumba.

iG Rio de Janeiro |


Arte iG

Segunda cidade mais atingida pelo mau tempo, o Rio de Janeiro contabiliza 63 vítimas fatais, sendo 28 do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no centro da capital fluminense. O município de São Gonçalo registra 16 mortos. Magé, Nilópolis, Engenheiro Paulo de Frontin e Petrópolis tiveram um morto cada.

Soterrados

O número de vítimas ainda pode aumentar, de acordo com o Corpo de Bombeiros. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que os bombeiros, em nova estimativa, consideram que cerca de 150 pessoas ainda estejam soterradas no Morro do Bumba.

Hélio Motta

Morro do Bumba, onde deslizamento de terra já matou mais de 20 pessoas

Por volta das 20h50 de quarta-feira, um grande deslizamento de terra varreu duas ruas e diversas casas no local. Logo após a tragédia, a Defesa Civil trabalhava com a hipótese de que entre 200 e 300 pessoas estivessem sob os escombros.

Enterro

Na sexta-feira, a prefeitura de Niterói informou que vai custear os enterros das vítimas dos deslizamentos na cidade da Região Metropolitana do Rio. Parentes das vítimas estarão isentos de pagar qualquer taxa e demais custos com enterros, translados e transferências de corpos.

De acordo com o secretário de Saúde, Alkamir Issa, todas as vítimas terão direito a um sepultamento digno nos cemitérios municipais e, à medida que os corpos vão sendo liberados pelo Instituto Médico Legal (IML), são encaminhados aos cemitérios.

Tragédia anunciada

Segundo especialista ouvido pelo iG , a prefeitura de Niterói sabia do risco de desabamento que os moradores do Morro do Bumba corriam . Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), que mapeou aspectos geológicos e condições do solo, foi entregue em 2004 à Prefeitura na gestão do então prefeito Godofredo Pinto.

"Os governantes já sabiam que essa tragédia em Niterói poderia acontecer. Não sabiamos quando, mas mostramos onde poderia acontecer", disse o geólogo Adalberto da Silva, um dos autores do estudo. "Do total de áreas que sofreram deslizamento, em 90% delas avisamos que corriam risco. Inclusive o Morro do Bumba", contou o especialista.

Silva relatou que a área, que já foi um lixão, não passou por drenagens. "Mesmo com obras de drenagem seria arriscado construir e manter residências no terreno que já foi um lixão. Imagine sem essas obras", enfatizou. 

Segundo o especialista, a combinação de água em excesso e gás metano, originário da decomposição do lixo, foi fatal, numa área onde o solo já era vulnerável por ter abrigado um aterro sanitário.


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