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Não sei viver em outro lugar , desabafa morador retirado de área de risco

Apontada pelos moradores como uma das mais antigas residentes do Morro do Urubu, em Pilares, na zona norte do Rio, a aposentada Maria da Luz, de 93 anos, está se preparando para deixar nos próximos dias sua casa na favela. ¿Já esperava que mais cedo ou mais tarde teria que ir embora daqui. É uma área que vi nascer, crescer. E hoje a situação é de risco para todos¿, disse Maria, que dá nome a uma creche infantil na região.

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Arte iG

O Morro do Urubu é a primeira favela que está sendo removida após as fortes chuvas da semana passada na cidade. O guardador de carros Sebastião Marques Filho, de 49 anos, vai para um abrigo da prefeitura com seus seis filhos. Eu não sei viver em outro lugar. Essa chuva acabou com nossos sonhos. Vou para um abrigo, mas com medo. Não sei como é, dizem que tem ladrão, pedófilos... Tenho medo, porque tenho filhos pequenos. Vou ficar acordado direto, disse.

George Magaraia

Maria da Luz é chamada por vizinhos como "dona do morro", por ser antiga na área

A dona-de-casa Edna dos Santos e a filha Guaraciana, de 5 meses, também vão para um abrigo municipal. A parede da minha cozinha rachou. A água está passando por baixo da casa. A Defesa Civil condenou toda a área. É meu sonho de casa própria sendo jogado rio abaixo, desabafou a mulher, enquanto via os técnicos da Defesa Civil ajudando os moradores a retirarem os pertences pessoais e moveis de dentro das casas.

George Magaraia

Edna dos Santos vai levar os filhos para um abrigo da prefeitura

Sem escola ou creche

A preocupação de muitos residentes do local é quanto à escola das crianças. A maioria dos moradores mantinha os filhos em colégios e creches da região. Agora a situação está indefinida, já que até a creche do morro foi condenada pela sua localização.

Não é fácil a gente se adaptar de um dia para outro em outro lugar. A gente ficava tranquilo, porque as crianças iam a pé para a escola. Nem estou indo trabalhar, para ajudar na remoção dos móveis. Aliás, não estou conseguindo nem dormir. Só fico pensando no que será de mim e da minha família, contou a faxineira Marli Ferreira.

George Magaraia


Os moradores da comunidade não apresentaram resistência de desocupação

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