"O sonho do Marcos era ser bombeiro", diz pai de vítima da chuva

Menino de 8 anos morreu em deslizamento no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O enterro do menino Marcos Vinícius, de 8 anos, morto no deslizamento que atingiu o Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, aconteceu na manhã desta quinta-feira no cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, e foi marcado pela emoção. Desconsolada, a mãe Rosilene Vieira França da Mata ficou debruçada sobre o leito do garoto, velado na Assembléia de Deus do Rio Comprido. Ela ajudou a carregar o caixão. O pai, Walmir França da Mata, que recebeu o filho morto nos braços após ouvi-lo pedir por resgate, chegou a pegar uma das alças, mas, depois, muito abalado, passou apenas a acompanhar o cortejo.

Antes do enterro, ele revelou: "O sonho do Marcos era ser oficial do Corpo de Bombeiros", disse, dando uma risada que ficou entre a indignação e a ironia do destino do seu filho, que queria ajudar a salvar vidas. "Para quem não conhecia ele, é só pensar em uma palavra: amizade. Ele semeava amizade por onde passava, independente de classe social."

Vicente Seda
Parente de Marcos Vinícius,que morreu nas chuvas no Rio, com uma foto do menino nas mãos

Foram entoados cantos evangélicos durante a longa caminhada até o local do enterro. Uma enorme escadaria no caminho não tirou o ânimo ou a fé dos parentes que carregavam o menino que, segundo o pai, semeava amizade. Um dos familiares, ao ver a escada, comentou: "É pouco, é muito pouco", transformando o esforço de subir os degraus carregando o caixão em mais uma homenagem a Marcos Vinícius.

Na chegada do corpo, Rosileide não parava de repetir "eu te amo", olhando e tocando a foto do menino colocada em cima da tampa de madeira pintada de branco. Walmir chegou um pouco depois e em questão de segundos, antes de dizer qualquer palavra. desabou em lágrimas. Depois de dizer que era difícil aceitar que o filho não existia mais, abraçou o porta-retrato, a última referência que restava para amparar o desespero. Sequer conseguia acompanhar o canto de sua igreja. Balbuciou apenas: "Ah meu filho, que Deus te proteja...."

Rosileide, antes de Walmir chegar, derramara lágrimas sobre o caixão de Marcos, dizendo palavras de carinho, ora abaixando a cabeça em um choro incontido, ora acariciando a foto do filho que não poderia mais abraçar. "Quem vai me chamar de minha vira-latinha? Um dia a gente se encontra, tá?", foram algumas das palavras de Rose, como os parentes a chamam, terminando a última conversa com o filho com um "te amo".

Não foram apenas os parentes de Marcos Vinícius que estiveram no cemitério. Outros três corpos foram enterrados no local em horário próximo: as gêmeas Camile e Caroline Santos de Jesus, 17 anos, e Maria Isabel Santos de Jesus, de 8, veladas na igreja de São Judas Tadeu, no Cosme Velho.

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