Moradores de Niterói se queixam de falta de informação e de auxílio

Entre 200 e 300 pessoas devem estar soterradas após o deslizamento de terra ocorrido nesta quarta-feira

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro |


Arte iG

NITERÓI - Após a visita na manhã desta quinta-feira do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ao morro do Bumba, em Niterói, muitos moradores se queixam que não foram informados pelas autoridades sobre como fica a situação deles a partir desta noite. Segundo estimativas da Prefeitura de Niterói, entre 200 e 300 pessoas devem estar soterradas após o deslizamento de terra ocorrido por volta das 20h50 de quarta-feira no local. Até as 14h, dez corpos tinham sido encontrados e 21 sobreviventes haviam sido resgatados.

Dezenas de pessoas estão sendo recolhidas por igrejas evangélicas da localidade. O pastor Bruno Borges, da Igreja Apostólica Cristã, afirma que está abrigando 100 famílias desde a noite de ontem. Quero saber para onde todas essas pessoas vão depois. Até agora ninguém falou nada disso para gente. Sérgio Cabral veio posar para fotos e nem se importou em comunicar o que essas pessoas devem fazer. Além de perdermos nossos entes queridos, perdemos nosso chão, disse o pastor.

Além disso, a Defesa Civil está com dificuldade de convencer os moradores a se encaminharem ao Instituto Médico Legal (IML) para ajudar no reconhecimento das vítimas. Diversos sobreviventes e parentes de vítimas esperam fazer o reconhecimento dos corpos ainda no morro. A professora Patrícia Barcelos estava no local esperando por informações de seu pai, o mestre de obras Severino Domingos, de 60 anos. Ele morava sozinho aqui há mais de 20 anos e estão mandando a gente ir ao IML sem nem comunicar quais são os corpos que estão lá. Estão nos tratando com muita falta de respeito.

A tenente-coronel dos Bombeiros, Camila Amaral, tentou conversar com alguns dos parentes para retirá-los da comunidade. Eles precisam entender que os corpos, quando são retirados, precisam ser lavados e preparados com o mínimo de dignidade. Não temos como dar aqui no morro sobre o tipo de pessoa, explicou a tenente-coronel. Ela informou que os corpos estão sendo encaminhados para dois institutos diferentes, um na capital fluminense e outro em Tribobó, no município de Itaboraí.

A estudante Tainá Silva, de 18 anos, conta que seu primo Caique, de 6 anos, estava na casa da avó quando houve a tragédia. Caique está desaparecido. A mãe dele saiu até o portão durante alguns instantes porque ouviu um barulho muito alto e pensou que fosse um acidente de carro. Quando olhou para trás, o morro estava todo vindo abaixo, disse a jovem. A mãe do menino, Sabrina Teixeira, estava inconsolável. Chorava o tempo todo enquanto era amparada por outros parentes. Já o pai da criança, Marco Antonio Júnior, permaneceu segurando o celular com a foto do filho. Eu não tenho condições de falar o que estou sentido, só quero meu filho de volta.

A servente Maria de Paula, de 49 anos, desmaiou enquanto acompanhava as buscas por parentes no morro. Sua irmã, Simone Fernandes, de 38 anos, está desesperada. Morávamos aqui do lado. Temos primos e tios desaparecidos. Teve explosão e dizem que foi provocada por gazes, por causa da concentração de lixo embaixo do morro. Estamos sem saber o que fazer, não temos mais nada, disse Simone.

Veja imagens do morro do Bumba

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