Medo de saques e arrastão leva comerciantes a fechar lojas no centro de Niterói

Fragilizada após a confirmação de quase 90 mortes e um deslizamento que mobilizou os trabalhos das autoridades em busca de sobreviventes, Niterói, cidade mais afetada pelas chuvas que atingem a região metropolitana do Rio de Janeiro desde o início da semana, sofre com uma onda de arrastão promovida por homens armados com fuzis que foram às ruas no dia seguinte à tragédia.

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro |



Arte iG

A reportagem do iG estava no Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, no momento em que um grupo de homens com fuzis fazia ameaças e causava pânico a poucos metros dali.

Enquanto muitos ajudam no resgate das vítimas, trabalhando como voluntários, relatos de pessoas que presenciaram o crime dão conta de que há um arrastão passando pela cidade inteira e também assaltos isolados em bairros como Icaraí, centro e Fonseca.

A dona de casa Rosane Medina saiu do bairro onde mora, em Icaraí, com os filhos Gabriel e Bruno, para doar mantimentos na escola municipal Moreira Franco, no Fonseca, que está recebendo desabrigados dos deslizamentos. Na volta para casa, eles tiveram que se abrigar no hospital onde estava a reportagem do iG para fugir dos bandidos. Está todo mundo desesperado dando ré, saindo dos carros, dos ônibus. Quando vi isso me refugiei aqui neste lugar, contou.

A cena descrita pela dona de casa aconteceu na Alameda São Boaventura, uma das principais vias da cidade. O comércio local, bem como vários outros pontos da cidade, segundo relatos, está fechado.

Tudo indica que os bandidos se aproveitaram da concentração de policiais no Morro do Bumba, onde bombeiros estimam que cerca de 200 pessoas podem estar soterradas pelo deslizamento de terra que derrubou casas construídas em cima de um terreno que já foi um aterro sanitário

O trânsito da cidade, prejudicado pelos bloqueios policiais, favoreceu a ação dos criminosos, que. segundo pedestres. roubavam as pessoas dentro dos carros durante o engarrafamento.

O medo de saques e invasão levou comerciantes a fecharem as portas dos estabelecimentos durante o dia. Notícias sobre a ação de criminosos levaram a Polícia Militar a reforçar o efetivo e monitorar a situação pelo município, sobretudo em áreas comerciais.

Na sede da Associação Comercial e Industrial do Estado do Rio de Janeiro, que funciona num prédio de dez andares da avenida Amaral Peixoto, no centro de Niterói, o portão de ferro foi fechado por precaução.

Daqui onde estou ouço helicópteros sobrevoando e vejo lojas de portas fechadas. Não vi nenhum arrastão, mas ficamos sabendo que aconteceu. Estamos com medo de invasão. Muitos funcionários nem vieram hoje, relatou a secretária da associação, Fátima Rodrigues. Com medo, ela planejava passar a noite no local para não correr riscos. Se precisar durmo aqui, sem colchão, na sala de espera. Não vou colocar minha vida em risco, disse ela.

De acordo com a PM, porém, não há informações oficiais sobre arrastão. Até as 15h30, ninguém havia sido preso. "Os policiais estão na rua e não confirmaram notícias sobre arrastão. São boatos porque a população está apavorada. Uma espécie de efeito manada", disse à reportagem do iG uma militar do 12º BPM indentificada como sargento Indiara.

Veja imagens do morro do Bumba


Trabalho de resgate


Cinco unidades dos bombeiros, entre os quais o Grupamento Florestal com cães farejadores, foram deslocadas para o morro do Bumba. Cerca de 150 homens trabalham no local.

A tragédia no Rio já supera a ocorrida em Santa Catarina, em novembro de 2008, quando morreram 135 pessoas por causa dos temporais. A maioria dos óbitos, no Rio, foi causada por deslizamentos de terra ou desabamentos, segundo informações da Defesa Civil do Estado.
Segundo a Defesa Civil, a contagem oficial do número de mortos no Estado do Rio até as 14h30 é de 161 vítimas, sendo 52 no Rio de Janeiro, 89 em Niterói, 16 em São Gonçalo, 1 Petrópolis, 1 Magé, 1 Paulo de Frontin e 1 em Nilópolis.

Em relação ao número de feridos, a corporação informa que o número muda rapidamente. O último balanço realizado aponta 161 resgatados em todo o Estado do Rio.


Dramas e relatos

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Com informações do iG São Paulo.

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