Deslizamento e explosão de gás resultaram na destruição em Niterói, diz pesquisador

A dimensão do estrago registrado no Morro do Bumba, em Niterói, evidencia que, além do deslizamento de terra causado pela chuva, houve explosão do gás metano formado a partir da decomposição dos detritos do antigo lixão situado no alto do morro. A opinião é do pesquisador de engenharia civil da Universidade Federal Fluminense (UFF) Élson Antonio do Nascimento.

Nara Alves, iG São Paulo |

Ali não foi só o efeito do deslocamento de terra causado pela chuva, pela instabilidade da costa. Ali era um lixão. As duas coisas associadas podem justificar a extensão do deslizamento, diz. O pesquisador explica que qualquer fagulha pode levar à explosão, já que o gás metano é um combustível natural.

P. Neves/Acervo jornal O Fluminense

Lixão do Viçoso Jardim, no Morro do Bumba, em março de 1977

O pesquisador, que esteve no morro em 2003 para avaliar problemas de drenagem que causaram outro deslizamento, afirma que já naquele ano havia a presença de gás metano. Os próprios moradores relataram combustão espontânea em alguns pontos, lembra. Há sete anos, seu grupo, formado por um técnico de geotécnica e uma professora de urbanismo que desenvolve trabalhos comunitários na região de Niterói, chegou a alertar a população, mas não avisou as autoridades locais. Não sabíamos a extensão do acúmulo de gás, afirma.

O que chamou a nossa atenção naquela época foi a presença de gás metano devido à decomposição do lixo. Procuramos alertar às pessoas sobre o risco de explosão, mas alguns moradores disseram que gostavam de morar ali mesmo com esse risco, diz o pesquisador. Segundo ele, em 2003 havia apenas 12 casas no local. No deslizamento ocorrido na quarta-feira, cerca de 40 casas foram levadas pela lama, soterrando por volta de 200 pessoas. No Estado, já são mais de 170 mortos .

A ocupação irregular do morro é recente, segundo Élson Antonio do Nascimento. Em 2007, fizemos o plano de risco da região de Niterói e São Gonçalo e as fotos aéreas que usamos, tiradas em 2000, não apontavam ocupação, relata. Segundo ele, muitos moradores que foram alertados pelo grupo de pesquisadores sobre os riscos que corriam chegaram a dizer que gostavam tanto do local que estavam convidando parentes e amigos para se mudar para a região.

Veja imagens do morro do Bumba

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