Com 17 mortos pela chuva, moradores da Grota de Surucucu reclamam ajuda

¿A Grota foi esquecida. Eles não entraram aqui. Os moradores é que estão se ajudando¿. A afirmação é da dona de casa Patrícia da Silva, moradora da comunidade da Grota de Surucucu, favela localizada nos morros próximos ao elegante bairro de São Francisco, no Rio de Janeiro.

iG São Paulo |

Agência Brasil
Moradores da Grota de Surucucu reclamam por ajuda

Moradores da Grota de Surucucu reclamam por ajuda

Apesar de a chuva ter provocado 17 mortes na região, que também abrange a favela da Cachoeira, o sentimento é de abandono. Eu sei que existem outros lugares onde morreram muitas pessoas, como o Morro do Bumba [em Niterói], mas aqui a gente precisa de ajuda também, afirmou Rosa Maria Herculano, que teve a casa abalada e corre risco de cair. No Morro do Bumba, 44 corpos já foram resgatados.

O presidente da Associação dos Moradores da Grota de Surucucu, Mauro Correia, disse que os vizinhos têm razão de estar ressentidos. Nossa comunidade foi uma das menos assistidas. São centenas de pessoas desabrigadas, muitas áreas de risco, pedras que ameaçam rolar e casas desabando. Estamos sem [assistência] e as crianças apresentam doenças. Precisamos trazer uma solução o mais rápido possível.

Os morros na Grota de Surucucu são bastante íngremes, com enormes rochas aparentes, o que ajudou a agravar a situação dos moradores.
O secretário de Segurança e Defesa Civil de Niterói, Marival Gomes, disse que o trabalho de vistoria dos técnicos começou na quarta-feira na localidade e deve prosseguir pelos próximos dias.

Os engenheiros da prefeitura estiveram no local para estudar os processos naquela área. Mas temos responsabilidade com a cidade como um todo. Não podemos pensar simplesmente na Grota de Surucucu. Todos os outros bairros precisam ser atendidos, justificou o secretário, dizendo que novas visitas devem ser feitas nos próximos dias.

Agência Brasil
Morador mostra local onde estava a sua casa

Morador mostra local onde estava a sua casa


Os cerca de 700 desabrigados da comunidade estão sendo mantidos em igrejas e escolas públicas da própria comunidade, como o Colégio Estadual Duque de Caxias, onde pelo menos 350 pessoas estão alojadas. Mas os líderes locais temem que o fornecimento de comida ali seja cortado, como chegou a ser anunciado pela direção do colégio.

As doações para os moradores podem ser feitas na própria escola, que fica na rua Albino Pereira, 300. Em todo o estado do Rio, segundo a Defesa Civil estadual, o número de mortos chegou hoje a 251, das quais 65% (165) em Niterói.

(*com informações da Agência Brasil)

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