Bombeiros estimam em 150 o número de soterrados no Morro do Bumba

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou que o Corpo de Bombeiros, em uma nova estimativa, considera agora que cerca de 150 pessoas estejam soterradas no Morro do Bumba, em Niterói. Logo após a tragédia, a Defesa Civil trabalhava com a hipótese de que entre 200 e 300 pessoas estivessem sob os escombros.

iG São Paulo |


Arte iG

É um número estarrecedor. Uma previsão dramática, muito dura, possivelmente mais de 100 corpos. Entre 100 e 150, pelos cálculos do Corpo de Bombeiros e pelas informações levantadas, disse o governador.

Por volta das 20h50 de quarta-feira, um grande deslizamento de terra varreu duas ruas e diversas casas no Morro do Bumba, no bairro Viçoso Jardim. Até as 15h desta sexta-feira, tinham sido encontrados 22 corpos no local. Desta forma, Niterói é a cidade com o maior número de vítimas das chuvas. Mais de 200 pessoas morreram em razão dos temporais.

Cabral anunciou, nesta sexta-feira, que solicitou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e obteve reforço das Forças Armadas no resgate de corpos e no atendimento a sobreviventes.

De acordo com Cabral, dois hospitais de campanha serão montados em São Gonçalo. Além disso, homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica auxiliarão no resgate em meio aos escombros de deslizamentos.

Tragédia anunciada

Segundo especialista ouvido pelo iG , a prefeitura de Niterói sabia do risco de desabamento que os moradores do Morro do Bumba corriam . Um estudo da Universidade Federal Fluminense (UFF), que mapeou aspectos geológicos e condições do solo, foi entregue em 2004 à Prefeitura na gestão do então prefeito Godofredo Pinto. "Os governantes já sabiam que essa tragédia em Niterói poderia acontecer. Não sabiamos quando, mas mostramos onde poderia acontecer", disse o geólogo Adalberto da Silva, um dos autores do estudo.

Caramujo, Cubango, Fonseca, Largo da Batalha, São Francisco, Pendotiba, Santa Rosa são os bairros mais afetados pela chuva na cidade. Pelo menos 30 comunidades foram atingidas por deslizamentos. "Do total de áreas que sofreram deslizamento, em 90% delas avisamos que corriam risco. Inclusive o Morro do Bumba", contou o especialista.

Silva relatou que a área, que já foi um lixão, não passou por drenagens. "Mesmo com obras de drenagem seria arriscado construir e manter residências no terreno que já foi um lixão. Imagine sem essas obras", enfatizou.  Segundo o especialista, a combinação de água em excesso e gás metano, originário da decomposição do lixo, foi fatal, numa área onde o solo já era vulnerável por ter abrigado um aterro sanitário.

*Com informações da Agência Estado e de Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro


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