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Boato sobre arrastão tranca clientes por duas horas em agência bancária

O boato sobre um suposto arrastão em Icaraí, bairro nobre de Niterói, trouxe pânico aos clientes da Caixa Econômica Federal na rua Gavião Peixoto. Todos foram obrigados a deitar no chão por cerca de 10 minutos e ficaram trancados na agência por mais duas horas. O relato é da moradora de Icaraí, Gabriela Maia Rabinovici, de 24 anos, que produz um jornal local e estava acompanhando a avó Sara, de 87, na fila para idosos.

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Arte iG



Segundo Gabriela, as duas chegaram à Caixa por volta de 13h30. Quinze minutos depois, os gerentes começaram a avisar a todos os clientes para não sacarem valores altos, pois estava havendo um arrastão no bairro.

"Às 14h, disseram que tentaram forçar a porta da agência, e os gerentes e seguranças anunciaram que era um assalto. Mandaram todo mundo deitar no chão e ficar longe das portas de vidro, pois poderiam atirar de fora. O pânico foi geral, ficamos todos apavorados, muita gente rezando alto, parecia filme, nunca tinha visto nada assim. Foi horrível, todo mundo chorando", contou Gabriela, que, como estava na fila de idosos com a avó, se encarregou de acalmá-los: "A minha avó ficou desesperada, mas fiquei tentando acalmar. Os idosos estavam apavorados, pálidos. Teve uma funcionária do caixa que desmaiou".

A moradora contou que, depois de constatado que não se tratava de um assalto à Caixa Econômica, a polícia só liberou as pessoas às 16h, justificando que estavam acontecendo assaltos na rua e lojas próximas.

"A agência estava muito cheia, era muita gente aglomerada no chão. Como eu não tinha uma visão de todos os caixas, para mim os assaltantes já estavam dentro do banco pegando dinheiro. Mas na verdade os seguranças passaram para todo mundo que tentaram forçar a porta, e aí chegaram carros de polícia um pouco depois. A gente queria sair, mas os policiais não deixaram porque estavam acontecendo roubos na rua", completou.

No final da tarde, o comandante do 12ª Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Niterói, tenente-coronel Ruy França, afirmou que um início de protesto provocou pânico e boatos sobre um suposto arrastão pelas ruas do município mais fragilizado com mortes e deslizamentos provocados pelas chuvas no Estado do Rio.

Segundo o coronel, os boatos, que levaram comerciantes a fechar as portas de estabelecimentos, tiveram origem a partir de uma informação de que moradores do Morro do Estado fariam uma manifestação.  O boato se espalhou para o centro da cidade, e alguns comerciantes da avenida Amaral Peixoto fecharam suas lojas, iniciando um processo em cadeia, explicou o coronel.

O comandante afirmou também que deslocou um efeito com cerca de 40 viaturas para vasculhar a cidade após as notícias, mas não foi notificada nenhuma ocorrência.

Pela tarde, a reportagem do iG, no entando, acompanhou um início de tumulto provocado por moradores que, exaltados, começaram a quebrar vidros de lojas como a joalheria H Stern na avenida Amaral Peixoto. Com medo, a Casas Bahia, localizada no Bay Market, encerrou o expediente, assim como boa parte dos estabelecimentos da região - que, até o final da tarde, ainda funcionavam com as portas arriadas.

No município, 100 pessoas morreram, vítimas de deslizamentos após dias de forte chuvas desde o início da semana. 


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