Tietagem substitui rebeldia entre manifestantes no segundo dia de julgamento

Durou poucos minutos o tom de revolta dos manifestantes que acompanhavam o segundo dia do julgamento do casal Nardoni pelo lado de fora do fórum de Santana, zona norte de São Paulo. Logo que os acusados deixaram o local - aos gritos de assassinos, diabos e palavras de ordem impublicáveis -, os xingamentos deram lugar à euforia e à tietagem quando as dezenas de pessoas que acampavam no local notaram a presença dos principais personagens do caso, como o promotor Francisco Cenbranelli, à saída do fórum.

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |


Clique aqui para ver o infográfico

Antes revoltado, um dos manifestantes não continha o orgulho depois de tentar se aproximar do responsável pela denúncia contra o casal.

Aos pulos, dizia em alto e bom som, para que os amigos ouvissem: Gente, o promotor me disse: continuem torcendo. Foi logo seguido pela empolgação de uma mulher que o acompanhava: Ai, ele é tão lindo. Quase no mesmo instante, uma outra rebelde comemorava, também orgulhosa, o fato de ter visto de perto a escritora Glória Perez, que acompanha o julgamento em apoio à família de Isabella Nardoni, assassinada em 2008 .

Ao verem o batalhão de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas que deixavam o local, populares circulavam e se ofereciam para entrevistas. Trocavam de posição com os profissionais de comunicação ao dispararem perguntas como: quem é você? e de onde você é?. Via de regra, quando viam que o interpelado não era da televisão, desistiam da abordagem e procuravam outros alvos.

Quando notavam uma câmera se acender, no entanto, se posicionavam como num ensaio, em linhas como equipes de futebol antes do jogo, e abriam faixas que pediam desde a condenação do casal até a paz no Planeta.

Segura direito aí baixinho, dizia um manifestante, vendo o cartaz pender. É agora que a gente grita justiça?, perguntava uma mulher, já cansada de segurar a outra ponta do cartaz. E esse é de onde, Vagner?, pergunta a esposa, sorriso congelado e com uma camisa de apoio a Isabella no peito. Da Rede News ou Brasil News, não sei. Mas ali tá a Record, respondia o marido.

Tem que gritar justiça. Tem que fazer bonito, reforçava o homem. Acho que ali está o Cesar Tralli [repórter da TV Globo], dizia um. Noooossa, respondia outra, antes de ser interpelada por uma concorrente. Um jornalista até tirou foto com meus vizinhos. Ficou tão bonitinho.

Apagada a luz das câmeras, terminava também o momento tiete. Mesmo assim, poucos arredavam pé na frente do fórum, quase uma hora após o término do segundo dia de um dos mais esperados julgamentos do País.

Leia também:

Leia mais sobre: caso Isabella

    Leia tudo sobre: isabella nardoni

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG