Saiba como foi o comportamento do casal Nardoni durante os cinco dias de júri

Alexandre procurava demonstrar interesse nos depoimentos; Anna Carolina Jatobá se demonstrava impassível e séria

Lecticia Maggi e Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Sempre vestindo camiseta pólo, calça jeans e tênis, Alexandre Nardoni, pai de Isabella Nardoni, procurava demonstrar interesse nos depoimentos das testemunhas durante o júri. O julgamento, realizado no Fórum de Santana, zona norte de São Paulo, durou cinco dias. Neste sábado, o juiz Mauricio Fossen anunciou a sentença: Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte de Isabella Nardoni.

Durante o júri, Nardoni usou óculos de aro fino, que lhe davam um ar de intelectual e serenidade que se contrapunha com a imagem descrita pela acusação: a de que era um pai e marido ausente, rude e às vezes violento.

Em meio a embates entre a promotoria e a defesa, parecia assustado quando tinha o nome citado - ou quando ouvia relatos e notava olhares direcionados a ele. Nas vezes em que esteve ao lado de Anna Carolina Jatobá, madrasta da menina, não trocou olhares nem gestos com a mulher.

Apesar de parecer atento durante os cinco dias de julgamento, raramente o acusado demonstrou algum tipo de emoção ao ouvir detalhes sobre a morte de Isabella. Em alguns momentos, como durante o depoimento da ex-companheira Ana Carolina Oliveira, apenas balançava a cabeça, sinalizando não concordar com o que era dito.

Na quarta-feira, a perita Rosângela Monteiro utilizou uma apresentação de slides com imagens de teste feitos no Instituto de Criminalística (IC) que comprovariam que as marcas encontradas na camiseta de Alexandre só poderiam ter sido deixadas pela tela de proteção da janela em alguém que se apoiou com força e carregando um peso de cerca de 25 kg. Alexandre, que estava sentado à direita do telão, esticou-se para ver as imagens e chamou duas vezes o assistente de defesa durante o depoimento da perita. Isto, aliás, era comum durante as sessões: Alexandre, quando era citado, por vezes chamava a defesa. Já Anna Carolina mantinha-se impassível diante das declarações sobre ela e evitava acionar os advogados.

Ainda na quarta-feira, quando Rosângela deixou o plenário para a entrada do jornalista Rogério Pagnan, Alexandre foi um dos poucos presentes à sessão que não se levantou. Enquanto jurados, promotor e advogados se movimentavam pela sala, ele permaneceu na cadeira, e chegou a rir com um policial que fazia a segurança do local durante uma rápida conversa.

Emoção

Na quinta-feira, pela primeira vez, Alexandre se emocionou no plenário durante o próprio depoimento. Antes mesmo de começar a falar, chorou ao ver a mãe e a irmã. As duas bateram no peito, dizendo que o amavam e ele acenou com a cabeça, correspondendo. Em seguida, tirou os óculos para enxugar os olhos.

No depoimento, diversas vezes Alexandre falou com a voz embargada, entre elas ao dizer que a filha passou o sábado brincando com os irmãos. Ela ensinou Pietro a mergulhar. Ela amava o Pietro, afirmou. Alexandre alternou momentos de choro com outros em que parecia atônito, sem entender a dimensão do que realmente havia acontecido.

Ao falar sobre como encontrou a filha no jardim, manteve-se calmo, apesar de usar constantemente a palavra desespero. Já quando falou sobre o reconhecimento do corpo no necrotério, voltou a chorar. Choro este que o promotor Franscisco Cembranelli considerou sem lágrimas.

A mudança de sentimentos marcou o comportamento de Alexandre na quinta-feira. Se ele se emocionou enquanto respondia às perguntas do juiz, quando foi interrogado pelo promotor de acusação, a irritação e o nervosismo eram visíveis. Ergueu a voz em mais de um momento e chegou a desafiar Cembranelli: onde o senhor quer chegar com isso? Qual a finalidade dessa pergunta?, disse, quando questionado sobre os bens que possuía com Anna Jatobá. Por vezes confuso, Alexandre respondeu apenas não sei ou não me recordo para a maioria das perguntas feitas por Cembranelli.

No último dia de julgamento, sexta-feira, vestindo uma camisa pólo azul escura com faixas em tom mais claro nos ombros, calça jeans e tênis, Alexandre ficou com o olhar perdido durante quase toda a argumentação do promotor Francisco Cembranelli. Diversas vezes, os jurados o olhavam, mas ele evitava encará-los. Já quando o advogado de defesa falava, Alexandre olhava-o fixamente. Não chorou em nenhum momento.

Anna Carolina Jatobá

O comportamento de Anna Carolina Jatobá, que até a quinta-feira era tido como impassível e sério, tornou-se emotivo somente durante o próprio depoimento. Apesar de também se mostrar atenta a tudo que foi dito desde o início do julgamento, Anna Carolina parecia estar mais inquieta do que o marido. Demonstrava incômodo por passar tanto tempo sentada.

Logo no primeiro dia de julgamento, Jatobá já estava com a aparência cansada. Durante o depoimento de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, na noite de segunda-feira, ela estava com olhos inchados e a todo momento colocava a mão no rosto. Não demonstrou emoção.

Encostada à parede, Jatobá dificilmente inclinava o corpo para frente, ficando assim a maior parte do tempo escondida pela pilastra, que só deixava os seus pés e parte da perna à mostra para a plateia.

Todos os dias, ela apareceu trajando blusas delicadas e de cores claras, que lhe davam feminilidade. No pés, exceto na sexta-feira, usava a mesma sapatilha lilás. Na quinta-feira, dia de seu interrogatório, chamavam a atenção as unhas pintadas de cor-de-rosa e a ausência de brincos. No mesmo dia, apareceu no plenário com o rosto abatido, cabelos presos em um rabo de cavalo e sem brincos. Ao lado da mesa onde estava, havia um copo de água e lenços de papel.

Vestia uma calça jeans, camisa azul clara com babados nas mangas e tamanco do tipo crock preto. Chorou assim que começou a responder às perguntas do juiz Maurício Fossen e negou todas as acusações do juiz. Disse que a enteada, a quem sempre se referia como Isa, recebia mais atenção do que os próprios filhos dela. "Minha avó e minha mãe até me questionavam que ela parecia mais minha filha do que o Pietro e o Cauã", afirmou.

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