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Defesa do casal Nardoni quer adiar julgamento , diz promotor do caso Isabella

O advogado do casal Nardoni, Roberto Podval, afirmou ao Portal iG que, na próxima semana, deve entrar com um recurso pedindo a retirada da acusação de fraude processual contra Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, acusados de terem matado a menina Isabella Nardoni, em 29 de março de 2008. Para o promotor do caso, Francisco Tadeu Cembranelli, a defesa visa adiar o julgamento, marcado para o dia 22 de março. ¿Chamo isso de manobra protelatória¿.

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

AE
Promotor Franscisco Cembranelli
De acordo com Cembranelli, em dezembro de 2009, um recurso semelhante foi julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e negado por unanimidade. Para ele, se a defesa estivesse preocupada em ser rápida, teria imediatamente impetrado um novo habeas-corpus.  Ele (advogado) esperou dezembro inteiro, janeiro e fevereiro para pensar nisso porque quer adiar o julgamento, diz. E, de fato, isto pode acontecer.

No dia 22 de março, o casal será julgado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado (meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, visando garantir impunidade de delito anteriormente praticado) e fraude processual.

Porém, se até lá o pedido de revisão da acusação de fraude não tiver sido julgado, o juiz pode conceder uma liminar suspendendo o júri provisoriamente. Dificilmente, o Supremo consegue apreciar isso em menos de 30 dias. Ele é um só para julgar casos do Brasil inteiro e não é porque o caso Isabella é famoso que irá passar na frente dos demais, explica o promotor.

Cembranelli afirma ainda que, caso o julgamento do recurso demore a acontecer, a defesa pode entrar com outros pedidos de liberdade. Se for daqui 5, 6 meses, sabe o que ele pode fazer? Entrar com um pedido de liberdade e dizer que está demorando muito e os réus não têm culpa da lentidão da Justiça Brasileira. É o papel dele? É. É legal? A lei permite. A pergunta é: é moral?, questiona.

Se o juiz aceitar os argumentos da defesa, entre eles o de que o réu não é obrigado a produzir provas contra si próprio, a acusação de fraude processual não será nem apresentada aos jurados. Cembranelli não acredita que o STF vote a favor do casal, mas, apesar disso, diz que a acusação pouco acrescentaria à pena final. É coisa de um ano. Não é um crime doloso contra vida, é conexo com o homicídio, diz.

Perícia no apartamento

Isabella Nardoni em foto de arquivo
Outra crítica feita pela família dos acusados é de que o apartamento não foi lacrado após o crime, o que inviabilizaria a acusação de que a cena foi modificada. O próprio pai de Alexandre, Antônio Nardoni, esteve no local no dia seguinte à morte da neta . E, assim como ele teve acesso, a defesa considera que outras pessoas também poderiam ter entrado e alterado o local.

Para Cembranelli, é equivocado pensar desta maneira. O apartamento foi lacrado e preservado pela policia na própria noite. A perícia foi chamada, fotografou e apanhou objetos, afirma, acrescentando que, nesta primeira perícia, já havia indícios de que o apartamento tinha sido adulterado e as provas suprimidas.

O promotor cita a fralda que, segundo ele, continha sangue e estava em um balde embaixo do tanque. Era a única peça de molho em um monte de roupa suja. Ela chamou a atenção dos peritos e foi recolhida, diz.

Conforme ele, o apartamento foi entregue à família, mas peritos voltaram ao local diversas vezes. Nestas ocasiões, entre outras coisas, realizaram testes com reagentes. Os reagentes podem ser usados até anos após o crime que ainda mostram os indícios, diz.

Data do julgamento

Em entrevista ao iG , Cembranelli afirmou que tinha esperanças de levar o casal a júri até o final de 2008, ano em que Isabella morreu. E isso teria acontecido se a defesa não tivesse começado sucessivamente a recorrer, diz.

Apenas nos 12 primeiros meses após a morte de Isabella, advogados do casal Nardoni impetraram 10 recursos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), três no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e seis no Supremo Tribunal Federal (STF). Cembralli afirma que, adiando o julgando, a defesa quer fazer com que o caso seja esquecido. Mas é difícil fazer com que a memória seja apagada desta maneira.

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